Curitiba – Em meio ao impasse entre Prefeitura de Curitiba e Governo do Estado em relação ao repasse de recursos para manter o funcionamento da Rede Integrada de Transporte (RIT), aproximadamente 2,3 milhões de pessoas começaram a semana tendo que improvisar para conseguir se deslocar em Curitiba e Região Metropolitana. A greve que vinha sendo anunciada desde a semana passada teve início ontem e causou transtornos, gerando uma série de reclamações da população.
Nenhum dos 1.945 veículos que compõem a RIT deixou as garagens das empresas, o que afetou 356 linhas de ônibus. Muitos trabalhadores tiveram que faltar ao trabalho porque não conseguiram chegar a tempo, e outras pessoas que tinham exames em hospitais, por exemplo, tiveram que remarcar suas consultas. Sem a circulação dos ônibus, milhares de carros voltaram às ruas, o que causou congestionamento principalmente na Região Central da Capital.
Na tentativa de evitar um caos ainda maior, a Urbanização de Curitiba (Urbs), que administra o transporte coletivo, acabou cadastrando 112 veículos da prefeitura para deslocar alguns passageiros. Eles fizeram o percurso tradicional das linhas de ônibus, sem custo à população. Mas, além disso, o órgão abriu o cadastramento de veículos particulares para oferta de transporte alternativo. Os motoristas interessados foram autorizados a cobrar R$ 6,00 por passageiro.
"Consegui uma carona para vir até o Bigorrilho, mas para voltar ao Pinheirinho, onde moro, vou ter que pegar uma condução e desembolsar R$ 6,00. Tenho que tomar conta de duas idosas, de 94 e 60 anos, elas precisam de mim", ressaltou a cuidadora Mara Pereira, de 55 anos.
Dinorah dos Santos, de 66 anos, é babá e mora em Campo Largo (Região Metropolitana). Já tinha desembolsado R$ 6,00 para pegar uma condução até seu trabalho, no Bigorrilho, e teria que pagar novamente para voltar para casa. "Ninguém vai trabalhar sem receber o que é de direito, então entendo que os motoristas e cobradores estão certos. Mas isso tudo acaba atrapalhando a rotina de todo mundo", apontou.
Após uma audiência realizada ontem no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), ficou determinado o retorno de 50% da frota a partir da zero hora de hoje e 70% da frota nos horários de pico. Além disso, o desembargador Luiz Eduardo Gunther determinou que até as 14h30 de hoje a Urbs, a Coordenação da Região Metropolitana (Comec), órgão estadual, e as empresas que operam no transporte coletivo apresentem, em nova audiência, um plano para quitar o adiantamento salarial dos trabalhadores que estava em atraso.
Desde o final do ano passado o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) reclama do atraso do adiantamento de 40% dos salários dos profissionais, que normalmente é pago até o dia 20 de cada mês. Atualmente, os salários de cobradores e motoristas de ônibus são, respectivamente, R$ 1.028,11 e R$ 1.814,94.
A mobilização geral ocorreu mesmo indo contra a liminar expedida pela Justiça do Trabalho de garantir a manutenção de 70% da frota em operação nos horários de pico e 50% nos demais horários, sob pena de multa de R$ 300 mil. O Sindimoc alegou que não tinha sido notificado oficialmente da decisão e que, por isso, a paralisação foi geral.
A demora no acerto dos pagamentos vem sendo questionada também pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), que alega não ter caixa suficiente para arcar com os adiantamentos, se não receber os repasses que estão atrasados. De acordo com a entidade, o problema ocorre por conta de um impasse entre a Urbs e a Comec, relativo ao subsídio do transporte coletivo.

mockup