Londrina – A retomada da greve dos professores da rede pública do Paraná ontem, em função da votação do projeto de lei que prevê alterações na Paranáprevidência, fez com que as escolas estaduais da cidade amanhecessem vazias. Foram poucos os estudantes que foram até as unidades sem saber o que estava acontecendo, como o aluno do primeiro ano do Ensino Médio Gabriel Guilherme Felipe, de 15 anos. De mochila nas costas, ele chegou às 7 horas da manhã ao Colégio Estadual Vicente Rijo, o maior da cidade, na Avenida Higienópolis, esperando encontrar professores e colegas. Se deparou com os portões fechados. "Eu sabia que teria uma greve, mas não sabia quando iria ser. Me desliguei esse fim de semana", comentou o jovem, surpreso.
Outro aluno que perdeu a viagem, do Residencial Vista Bela, na Zona Norte, até a escola, no centro, foi Juan Miguel Andrade, 14. "Cheguei a ver algo na televisão, mas pensei que algumas escolas ainda funcionariam. O que está acontecendo não é bom para alunos nem professores", avaliou.
Segunda greve estadual neste ano, a nova paralisação deve afetar em Londrina cerca de 49,4 mil alunos e em torno de 950 mil no Paraná, em 2,1 mil escolas, caso a adesão seja 100%. No município, são 3,7 mil professores e em todo o estado, 120 mil. Uma reunião com cerca de 500 pessoas na sede da entidade ontem pela manhã discutiu estratégias para a semana. A orientação é que os professores fossem até as escolas explicar para os alunos a situação.

PRESSÃO
Os servidores públicos sustentam que o governo estadual descumpriu o acordo de negociar com a sociedade a questão da Paranaprevidência. Na primeira tentativa de passar o PL 252 na Assembleia, em fevereiro, o governador Beto Richa propôs retirar R$ 8 bilhões de uma só vez do fundo previdenciário, para transferir para o caixa do Executivo. Agora, apresentou proposta para retirar, até o fim do mandato, R$ 142 milhões ao mês.
"Alguns diretores estão pressionando professores contratados pelo PSS, dizendo que os dias parados serão descontados. Nós vamos recorrer de toda a ação do governo", assinalou um dos membros da direção da APP-Sindicato de Londrina, Wilson Silva. Na semana passada, o governo anunciou que "eventuais faltas", a partir de ontem, seriam descontadas em folha de pagamento.
Conforme Wilson, inscrições estavam sendo organizadas para levar professores até a Assembleia Legislativa, em Curitiba, hoje. Em princípio, três ônibus foram colocados à disposição. "Ainda estamos com a dívida da estrutura da greve passada, mas se for preciso vamos conseguir mais ônibus. Muitas pessoas também estão indo para lá de carro", pontuou.

A categoria está programando ainda uma concentração para hoje, às 10 horas, no Centro Cívico de Londrina. Na última sexta-feira, o Tribunal de Justiça do Paraná determinou, por meio de liminar, que a ocupação da Assembleia Legislativa por professores pode implicar em multa de R$ 100 mil por dia à APP-Sindicato.

mockup