Greve em usina tem momentos de tensão
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sábado, 20 de janeiro de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Cerca de mil trabalhadores da Usina Central Paraná, produtora de açúcar e álcool em Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina), em greve desde o último dia 12, não aceitaram a contraproposta da empresa. Revoltados, os empregados atiraram paus e pedras nas janelas de um dos prédios da usina. Sindicalistas contiveram a multidão e ninguém ficou ferido.
Concentrados durante todo o dia de ontem em frente aos portões da usina, os grevistas esperaram o resultado da reunião entre cerca de 40 sindicalistas de Londrina e de várias cidades da região, comissão de funcionários e diretores da empresa. A reunião, que aconteceu em um antigo seminário de propriedade da usina, começou por volta das 10 horas e terminou às 18 horas. A direção propôs o pagamento do 13º salário na próxima quarta-feira (24) e do salário de dezembro e de acertos trabalhistas para um grupo de trabalhadores até 9 de fevereiro.
Segundo os sindicalistas, a empresa garantiu que não vai descontar os dias parados. O salário de janeiro, conforme a proposta patronal, seria pago no dia 28 de fevereiro. A adesão à greve é total, segundo os sindicatos.
Seguranças da empresa armados não permitiram a entrada da reportagem da Folha no local da reunião. O diretor-financeiro da Usina Central Paraná, Glauco Ferrigno, recusou-se a dar esclarecimentos sobre as reivindicações e denúncias de irregularidades apontadas pelos empregados.
Segundo Helmut Rossmamm, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porecatu, cerca de 6 mil empregados na última safra ainda não receberam o pagamento. Rossmamm afirmou que há dois anos a usina não repassa o dinheiro descontado da mensalidade dos empregados. Vários funcionários, que não quiseram se identificar, acusam o sindicato local de ter se vendido para os patrões.
Os trabalhadores, que pediram para que seus nomes não fossem divulgados temendo represálias, acusam a empresa de obrigar os trabalhadores a contribuir com uma taxa de R$ 40,00 no ato da contratação. A doação é opcional, mas o contrato do funcionário só é efetivado mediante o consentimento.
Segundo Daniel Malaquias, líder dos trabalhadores, a situação dos empregados é desesperadora. Famílias inteiras estão sem água e energia. Tem gente passando fome, afirmou.


