Rio de Janeiro - Responsável pela garantia do abastecimento nacional de combustíveis, a Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou ontem que a greve dos petroleiros ainda não põe em risco o suprimento ao mercado nacional. "A ANP tem como função garantir o abastecimento nacional de combustíveis. No momento, não há risco de desabastecimento. Caso haja, a ANP tomará as medidas cabíveis", disse a agência, em nota.
Os petroleiros começaram, no domingo, a paralisar atividades em plataformas de produção de petróleo na Bacia de Campos. Segundo o último balanço da greve, trabalhadores de 43 unidades aderiram à greve. O Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense (Sindipetro-NF) estima que cerca de 400 mil barris de petróleo deixaram de ser produzidos no segundo dia de greve. O volume equivale a um quinto da produção da Petrobras.
Em seu último comunicado sobre o tema, divulgado anteontem, a estatal disse que está tomando todas as medidas necessárias para garantir o abastecimento.

POLÍCIA
A decisão da Petrobras de chamar a polícia para impedir que os petroleiros ligados à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) fizessem piquetes em frente à sede da estatal no centro do Rio revoltou o sindicato, que ameaça acirrar ainda mais o movimento grevista com a ocupação de unidades de produção e refino. Emanuel Cancela, secretário-geral da FNP e do Sindipetro-RJ, disse que o acirramento terá início já a partir de hoje em reação à decisão da empresa de dificultar a ação do "comitê de convencionamento" com a presença da Polícia Militar.
Já a Federação Única dos Petroleiros (FUP) acusa a Petrobras de não respeitar o direito de greve. Segundo a entidade, para tentar desmobilizar a categoria, as gerências estão utilizando de "métodos coercitivos que vão desde a prática de cárcere privado, mantendo os trabalhadores presos em suas unidades sem direito à rendição, passando pelo uso da força policial dentro das unidades, até a realização de ligações telefônicas para a casa dos trabalhadores com intimidações às suas famílias". Segundo a FUP, "essas arbitrariedades contrariam frontalmente a Lei de Greve e a decisão legítima dos trabalhadores de aderirem ao movimento".

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