Curitiba - A paralisação dos professores federais, que ontem completou 110 dias, já é a maior da história da categoria e segue sem uma data para terminar. Docentes de 48 universidades e 32 institutos tecnológicos continuam em greve e, conforme a categoria, dificilmente terminará até a próxima segunda-feira, como foi anunciado por alguns reitores. A maior greve dos docentes tinha ocorrido em 2001, com 108 dias de braços cruzados.
O governo ofereceu reajuste salarial entre 25% e 40%, dividido ao longo dos próximos três anos, a partir de março de 2013. No entanto, conforme os sindicatos da categoria, a proposta não inclui possibilidade de negociação caso a inflação do período seja maior.
O Ministério da Educação (MEC) diz que as negociações com os professores estão encerradas desde o dia 3 de agosto, quando a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) assinou acordo com o governo.
Mesmo assim, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes-SN) divulgou uma nota oficial ontem, reforçando a mobilização da categoria. ''O Comando Nacional de Greve reafirma a continuidade da greve e a necessidade de avaliação do movimento e da correlação de forças necessária aos enfrentamentos que se impõem'', diz a nota.
No Paraná, desde o dia 17 de maio, mais de 50 mil estudantes estão sem aulas, não podendo concluir projetos científicos e até mesmo tendo que adiar a formatura. A UFPR têm três campi em Curitiba, Litoral e Palotina, com aproximadamente 3 mil docentes e cerca de 26 mil estudantes de graduação. Já a UTFPR possui 1.985 professores e 25.634 alunos em instituições na Capital, em Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio, Campo Mourão, Medianeira, Francisco Beltrão, Toledo, Pato Branco, Dois Vizinhos, Guarapuava e Ponta Grossa.
''Como o governo encaminhou o Projeto de Lei (PL) nº 4368/2012 para o Congresso, agora estamos trabalhando junto aos deputados estaduais e federais para tentar alguma mudança. A categoria quer analisar o PL para definir quais serão os próximos passos'', disse Silvana Heidemann Rocha, professora e integrante do Comando de Greve dos Docentes da UTFPR.
Novas assembleias dos professores devem ocorrer até a próxima quinta-feira em todas as instituições federais para novamente avaliar o movimento. Nestes encontros serão discutidos a continuidade da paralisação; e se a decisão for pela suspensão, definir quando as aulas serão retomadas; e a realização de novos atos públicos.
O professor e presidente da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Luiz Allan Kunzle, reforçou que a proposta de agora é intensificar os atos junto aos parlamentares. ''O governo pode a qualquer momento enviar mensagens ao Congresso para promover modificação no projeto de lei. Então tudo isso será levado em conta nas assembleias desta semana'', destacou.

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