Greve dos Correios é descartada em Londrina
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sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Os funcionários dos Correios em Londrina decidiram não entrar em greve, mas o movimento nacional da categoria prejudica a entrega de correspondências na cidade. Cerca de 45 funcionários definiram ontem a apresentação de uma contraproposta de aumento salarial à direção dos Correios e descartaram a possibilidade de greve nos próximos dias. A decisão foi tomada em assembléia realizada ontem no Centro de Triagem de Cartas e Encomendas (CTCE) da Região Norte do Estado, na rodovia Celso Garcia Cid (zona oeste). Segundo diretores do Sindicato dos Empregados dos Correios, a contraproposta seria encaminhada para a Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios, em Brasília.
''A contraproposta é uma fusão das duas propostas encaminhadas pela diretoria da empresa'', explicou a atendente comercial Benedita Moreira, 57 anos, diretora do sindicato. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), César Froze, a classe paranaense vai propor ao comando nacional de greve reajustes de 36%, 21% e 11%, dependendo da faixa salarial, mais vale-alimentação de R$ 13 (atualmente de R$ 10,50) e uma gratificação de R$ 1,2 mil em duas parcelas. A Federação dos Trabalhadores vai avaliar todas propostas estaduais e formular uma para ser apresentada aos Correios.
Quantos aos Correios, a primeira proposta aos trabalhadores é de reajuste de 16,87% agora e mais 5% em janeiro para os funcionários que ganham até R$ 950 (93% dos trabalhadores paranaenses) e de apenas 6% para o restante e aumentar o vale-refeição para R$ 11,50 agora e R$ 12 em janeiro. A segunda proposta foi de uma gratificação de R$ 1 mil dividida em duas parcelas, e reajustes que variam de 20,39%, 14,66%, 9,20% e 4% dependendo do nível salarial e vale-alimentação de R$ 11.
Os Correios têm 410 funcionários em Londrina, entre carteiros, atendentes, operadores de triagem e transbordo, motoristas e carteiros motorizados. A carga horária é de 44 horas semanais. O salário médio dos funcionários atualmente é de R$ 385. Se a proposta dos trabalhadores for aceita, pode subir para cerca de R$ 470. ''Mas nunca cobre as perdas da inflação, o trabalhador sempre perde'', queixou-se a operadora de triagem e transbordo, Andréia Cristiane Bento, 23 anos. O último aumento, no ano passado, foi de 9%.
Andréia diz que recorrer ao trabalho informal é comum entre os funcionários da empresa. ''Não é possível sustentar uma família com este salário'', enfatizou. De acordo com Benedita, a proposta de piso salarial ideal é de R$ 1.500, aprovada em evento nacional da categoria realizado em julho, em Santa Cruz (ES).
Há focos de paralisação em 17 Estados. No Paraná, a greve atinge Curitiba, Ponta Grossa, Maringá e Foz do Iguaçu. A paralisação afeta indiretamente a CTCE em Londrina. O volume de correspondência que passa por Londrina é de 9 mil quilos por dia. Na quinta-feira, foram movimentados apenas 500 quilos. Somente as correspondências com origem e destino na região Norte do Paraná estão circulando normalmente. (Colaborou Andréa Bordinhão)


