Greve do Incra prejudica mediação com sem-terra
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segunda-feira, 02 de julho de 2012
Adriana De Cunto <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que estão em greve realizaram ontem de manhã, em Curitiba, um ato público para chamar a atenção da sociedade sobre as consequências da paralisação, que começou no dia 18 de junho e atinge 80% dos funcionários do órgão no Paraná. A manifestação aconteceu no anfiteatro da sede do Incra com o objetivo de explicar à sociedade os serviços prejudicados pelo movimento, que acompanha a greve da Confederação Nacional dos Tabalhadores do Serviço Público Federal.
Entre as principais reivindicações está a recomposição e equiparação salarial com os servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo o agrônomo Claudio Marques, do comando de greve no Paraná, os funcionários do Mapa recebem 60% a mais do que os servidores do Incra. A categoria também reivindica realização de concurso público para contratação de pessoal, reestruturação das carreiras, melhoria das condições de trabalho, entre outras.
Há 10 anos, o instituto contava com 10 mil funcionários em todo o Brasil, hoje o número caiu para cinco mil. Segundo Marques, se nada for feito, devido a aposentadorias, em 2014 o quadro de funcionários do órgão em Curitina vai cair de 90 para 45. Contando com as gratificações, o salário inicial de nível médio no Incra é de R$ 2.254,64; nível superior é R$ 3.713,74; enquanto o salário do perito federal agrário é R$ 4.598,80.
O superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes, participou do ato público ontem como convidado para explicar as consequências da paralisação. Segundo ele, a greve afetou o trabalho de mediação de conflitos, realizado com cinco mil famílias sem-terra acampadas no Paraná. Também estão parados 130 processos de obtenção de terras e há preocupação que a situação provoque conflitos no meio rural.
A greve também está prejudicando o desenvolvimento de assentamentos que hoje contam com 120 famílias no Estado. Isso porque cabe ao Incra o trabalho de assistência técnica, obras de infra-estrutura e acesso ao crédito. Também ficam prejudicados a certificação de imóveis rurais, a atualização cadastral de propriedades e os pedidos de aposentadoria de trabalhadores rurais.
Até o fechamento da edição, o Ministério do Planejamento, órgão responsável pela negociação entre governo e grevistas, não respondeu solicitação de informações feita pela reportagem.


