O atraso no calendário das universidades federais provocado pela greve dos professores dificilmente será recuperado até o fim de 2003. As federais da Paraíba (UFPB) e de Mato Grosso (UFMT), por exemplo, só normalizaram este ano as datas relativas às atividades acadêmicas, alteradas pela greve de 1998, que durou 104 dias. ''Vamos ficar pelo menos dois anos fora do calendário normal'', diz o reitor da federal Fluminense (UFF), Cícero Mauro Rodrigues. Segundo ele, férias, recessos e todos os tipos de atividades universitárias sofrerão alterações de datas.

O Ministério da Educação (MEC) sustenta que não haverá cancelamento do semestre nem qualquer tipo de entrave no ingresso de estudantes em 2002. Mas admite que as universidades têm autonomia para decidir o calendário e a data de entrada de novos alunos.

O diretor do Departamento de Política do Ensino Superior do ministério, Luiz Roberto Curi, afirma que a reposição exige, mais que um planejamento de calendário, um compromisso de estudantes e professores. ''Tivemos greves mais longas e as aulas foram repostas'', diz. ''A responsabilidade dos docentes é maior que o espírito que os levou à greve.''

Dos 200 dias letivos previstos no calendário universitário deste ano, os estudantes terão no máximo 127 dias. O recesso de final de ano e o feriado do próximo dia 15 encurtam o tempo. Se a greve terminasse hoje, restariam 27 dias letivos até o final de dezembro.

Na avaliação do reitor da UFPR, Carlos Roberto Antunes, dificilmente as universidades conseguirão fechar três semestres no próximo ano - o segundo de 2001, que não começou em boa parte das instituições, e o primeiro e segundo de 2002. ''A reposição deve ser feita com qualidade, sem atropelos.''

Em federais como a de Pelotas (UFPel), as aulas dos calouros só vão começar quando terminar o semestre dos alunos do último período. Os 1.424 alunos que passarem no vestibular dos dias 8 e 9 de dezembro entrarão no câmpus apenas com o encerramento do segundo semestre deste ano. ''Temos um limite'', afirma o vice-reitor da UFPel, Jorge Luiz Nedel. ''É uma sensação nada agradável ver o retrocesso das negociações. Eu estava com expectativas de uma negociação definitiva.''

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