Curitiba- Cerca de 3,5 mil bancários paranaenses cruzaram ontem os braços por 24 horas em protesto contra a proposta dos banqueiros de reajustar os salários dos funcionários em 4%. As principais agências bancárias do Centro de Curitiba ficaram fechadas. Os bancários colocaram faixas e fizeram piquetes para evitar a entrada de funcionários. Apenas dez pessoas foram liberadas para entrar em cada agência (entre gerentes e telefonistas). Caravanas do interior do Estado reforçaram o movimento na capital paranaense. Os bancários ameaçam entrar em greve a partir do dia 6 de outubro se não houver uma proposta melhor pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
''A proposta feita pelos banqueiros foi ridícula. Foi uma proposta rebaixada, desproposital. Os banqueiros demonstraram total falta de respeito com os funcionários'', disse Geraldo Fausto dos Santos, diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina.
Os bancários pedem reajuste de 11,77% e têm uma pauta de reivindicações de 11 itens (ver quadro). ''Os dez maiores bancos brasileiros faturaram R$ 12,6 bilhões no ano passado. Um lucro que não existe em outro local do mundo. O Brasil é o paraíso da agiotagem oficial. Os bancos têm condições de nos atender'', afirmou o sindicalista.
No sábado, representantes de sindicatos de todo o País discutem o indicativo de greve. No Paraná, são 25 mil bancários. Somente em Londrina, são 1,5 mil. Lourival Gipiela Filho, diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba, salientou que os funcionários de bancos públicos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) estão juntos na mobilização nacional. O único ponto em separado da negociação é a distribuição equilitária da Participação de Lucros e Resultados (PLR). Eles pedem isonomia entre funcionários e gerentes.
A assessoria de imprensa da Fenaban informou ontem que a paralisação de 24 horas atingiu 3% do total de 17.500 agências no país e não interrompeu a prestação de serviços para os clientes que puderam usar os caixas eletrônicos, serviços por telefone e pela Internet, além dos correspondentes bancários (que somam 50 mil no Brasil entre lotéricas, Correios, materiais de construção e varejo em geral).

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