Greve de trens abre crise no governo britânico
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2002
France Presse 
Londres - O governo do primeiro-ministro Tony Blair foi obrigado a desviar sua atenção da guerra contra o terrorismo diante da caótica greve dos ferroviários, que já dura cinco dias, e da perspectiva de outra greve trabalhista entre os 150 mil funcionários dos serviços dos correios. A era negra das greves voltou, titulou o jornal populista de centro-direita Daily Express diante da incapacidade do governo trabalhista de abafar a greve do serviço ferroviário do sul do país, a região mais populosa da Inglaterra.
O serviço ferroviário britânico, o pior da Europa, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores, Peter Hain, está parado há cinco dias, sem praticamente nenhum trem em funcionamento no sul, com filas nas estações de trens e engarrafamentos monstruosos nas estradas.
Milhares de passageiros de uma das rotas ferroviárias mais frequentadas, operada pelos South West Trains, foram afetados pela greve, que nas próximas duas semanas deve paralisar outras linhas. A Escócia e o norte da Inglaterra também começaram a sofrer as consequências da paralisação.
O secretário dos Transportes, Stephen Byers, sofre duras críticas dos meios de comunicação para que apresente sua demissão. O governo considera que os problemas no setor são consequências de décadas de negligência e do colapso dos serviços na rede após a privatização de 1996.
As greves poderão contaminar também os serviços de correios. A União de Trabalhadores da Comunicação (Communication Workers Union) apresentou uma consulta aos 150 mil funcionários dos correios para uma possível greve em fevereiro, por causa de disputas salariais. Ken Jackson, chefe do Amicus, o maior sindicato do setor privado, declarou ao Daily Express que os sindicatos ferroviários devem deixar de intoxicar os usuários.
A maior preocupação de Jackson é que o país volte aos anos 70 e ao que sucedeu então, em alusão à década de greve que acabou contribuindo para a chegada da conservadora Margaret Thatcher.
Blair, que após uma semana de viagens diplomáticas voltou a seu país para encarar uma crise social galopante, acredita que os desentendimentos não devem ser resolvidos mediante enfrentamentos diretos, explicou seu porta-voz. Para o professor Paul Edwards, da Universidade de Warwick, especialista em relações industriais, não há um movimento organizado no sentido de sindicatos cooperando deliberadamente para causar problemas.


