Greve de motoristas deixa 300 mil sem ônibus em Campinas
Campinas,SP, 6(AE) - Cerca de 300 mil pessoas ficaram sem transporte hoje em Campinas em razão da greve iniciada a zero hora pelos motoristas e cobradores das seis permissionárias que operam o sistema na cidade. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de Campinas e Região, o movimento obteve adesão de 100% dos 4,1 mil trabalhadores que integram a categoria. Eles protestam contra cortes nos benefícios trabalhistas anunciados pela Associação das Empresas de Transporte Coletivo de Campinas (Transurc).
Ainda durante a madrugada, os grevistas realizaram piquetes nas portas das garagens para impedir a saída dos ônibus. Segundo o sindicato da categoria, a frota de 780 ônibus ficou totalmente parada. Apesar da paralisação, até o início da tarde não havia registro de tumultos envolvendo os grevistas. A greve obrigou a população a tirar os carros da garagem, o que provocou pelo menos dez quilômetros de congestionamentos nas primeiras horas da manhã.
Na semana passada, a Transurc anunciou o corte nas cestas básicas, vale refeição e convênio médico. "São direitos adquiridos, que não podem ser cortados", disse o presidente do Sindicato, Mário de Oliveira Santana. A entidade ingressou no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) com uma medida cautelar para obrigar as empresas a retomarem os benefícios, mas até o início da tarde de ontem a justiça não havia se pronunciado sobre o pedido.
A Transurc alega que os cortes nos benefícios são necessários para equilibrar as contas das empresas. De acordo com a entidade, as permissionárias vêm registrando prejuízos da ordem de R$ 1,4 milhão por mês. Os empresários dizem que a circulação de peruas que trabalham em sistema de lotação afetou o movimento de passageiros dos ônibus. Com os cortes, eles esperam economizar cerca de R$ 1 milhão por mês. Sem os benefícios, o Sindicato calcula que os motoristas, que recebem R$ 780,00 por Mês, terão uma perda de 24% no salário. Já os cobradores, que recebem R$ 466,00, perderão 40%. "Muitos trabalhadores vão passar fome se ficarem sem os benefícios", afirma o presidente do sindicato.
O presidente da Transurc, Armando Damaceno, disse que se a Justiça do Trabalho determinar a manutenção dos benefícios, a entidade acatará a decisão. "Nesse caso, seremos obrigado a demitir empregados", afirmou. As duas partes deveriam se reunir às 16 horas na Procuradoria do Trabalho, para tentar um acordo. Se não houvesse uma solução, o prefeito em exercício, Carlos Cruz (PMDB) deveria intervir para tentar conciliar empregados e empresários.
Com a paralisação, os perueiros registraram um aumento de 100% no movimento de passageiros. Eles passaram a circular pelos corredores exclusivos dos ônibus, mas a frota de mil peruas não foi suficiente para atender a toda a demanda. Muitas pessoas chegaram a esperar mais de uma hora anos pontos para conseguir o transporte.





