São Paulo, 26 (AE) - A paralisação dos caminhoneiros, iniciada hoje e organizada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, deve afetar a exportação de açúcar, segundo Fábio Eduardo de Souza, gerente de operações da Teasul Armazéns Gerais
empresa que detém um terminal automatizado para embarque de açúcar no Porto de Santos (SP).
De acordo com a organização do movimento, a paralisação deve durar até sábado (31). Souza informou que costuma receber de 80 a 100 caminhões diariamente, e hoje chegaram apenas 10. "Isso está prejudicando toda a nossa logística", disse Souza.
Ele explica que há um navio atracado que está sendo carregado em função dos estoques que a empresa mantinha. O problema, segundo ele, será com os próximos dois navios, que devem atracar na quinta (29) e segunda-feira (02).
"Os navios estão para chegar e não vai ter mercadoria"
disse ele. Edir Quiqueto, da Transportadora Transvale, de Assis (SP), afirmou que há açúcar para ser carregado na região, tanto para Paranaguá como para Santos, mas não há caminhões.
"Nós temos carga mas não tem quem carregue", disse Quiqueto. Segundo ele, o movimento de caminhões que normalmente transportam açúcar da região produtora até os portos é zero hoje.
"Não tem nenhum caminhão de autônomo trabalhando", diz ele, que explica que os autônomos representam a maioria da frota das transportadoras paulistas. No Paraná, Fidélis Giacomini, da Transportadora Gramado, de Cascavel, afirma que poucos caminhões estão trabalhando.
Segundo ele, os caminhoneiros fecharam a Rodovia BR-277, que liga Cascavel a Foz do Iguaçu, e estão parados também em Pato Branco e em Ponta Grossa, onde as transportadoras aderiram ao movimento.
Giacomini disse que espera uma maior definição da paralisação até o o início da tarde, para decidir se também vai fechar a transportadora hoje. Os caminhoneiros estão reivindicando uma tabela de fretes, elaborada e fiscalizada pelas Confederações Nacionais dos Transportes, da Indústria, do Comércio e da Agricultura, para que os fretes fiquem menos sujeitos às flutuações de demanda.
Além disso, a organização defende uma alteração no Código de Trânsito Brasileiro, reduzindo os pontos por infração na carteira de habilitação dos motoristas profissionais. A categoria ainda defende a aposentadoria aos 25 anos de profissão
a isenção dos Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) e Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de caminhões novos, para renovar a frota, e a redução da tarifa de pedágio, para 1 real por eixo, em todas as rodovias nacionais.

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