Greve de caminhoneiros congestiona Anhanguera na regiãode Ribeirão Preto
Ribeirão Preto, SP, 27 (AE) - Um congestionamento de aproximadamente três quilômetros está se formando na Rodovia Anhanguera, na altura de Santa Rita do Passa Quatro e São Simão, onde está localizada uma praça de pedágio da Via Norte. O congestionamento se deve ao protesto dos caminhoneiros que teve início ontem (26) e ganhou força hoje (27) com a adesão de 100% dos motoristas autônomos de Ribeirão Preto.
Segundo o presidente do sindicato dos autônomos, José Rodolfo Rodrigues, desde a noite de ontem nenhum caminhão está passando nos dois sentidos da pista. Apenas veículos de passeio estão liberados. O presidente do sindicato acredita que somente próximo ao pedágio de São Simão existam cerca de 500 caminhões, a maioria responsável pelo transporte de alimentos. Não há previsão para a liberação da pista.Novo protesto está sendo organizado pelo sindicato para a região entre Orlândia e São Joaquim da Barra, também na Via Anhanguera. "Vamos fechar completamente o cerco", disse.
A Cooperativa Agrícola de Orlândia (Carol) divulgou há pouco que ainda não está "sofrendo as consequências da greve de caminhoneiros em todo o estado". Segundo a diretoria comercial da Carol, estão sendo realizados os embarques normais em caminhões de terceiros e da própria cooperativa. A situação só deverá se agravar, caso a Via Anhanguera não seja liberada até o final dessa semana
As rodovias Armando Sales Oliveira e Brigadeiro Faria Lima, entre Bebedouro e Barretos também estão com a passagem para caminhões interditada desde o início da manhã de hoje (27), informou o Sindicato dos Motoristas Autônomos de Bebedouro. A adesão é total dos caminhoneiros locais, disse o funcionário de uma transportadora que não quis se identificar. Segundo ele, os pátios das transportadoras locais estão lotados. Os caminhoneiros se juntaram ao sindicato patronal para promover os protestos e impedir que caminhões vindos de fora do município fizessem entrega na cidade. "Impedimos desde a entrada de jornais à chegada de medicamentos e combustível", afirmou um diretor do sindicato. Segundo ele, as rodovias só serão liberadas após o anúncio de alguma medida do governo. Eles reivindicam a redução do preço dos pedágios e dos combustíveis. "O preço do frete está praticamente empatado com o que é gasto entre combustível e pedágio. De onde o motorista vai tirar o salário e o valor para a refeição durante a viagem", questionou o diretor Wladimir Giachetto.
Pelo menos US$ 900 mil já foram perdidos pela indústria citrícola desde o início da greve dos caminhoneiros, informou hoje (27), o presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Citros (Abecitrus), Ademerval Garcia. Segundo ele, o segmento mais atingido é o de exportação de laranja in natura. "Exportamos 150 mil caixas de laranja por semana e esse é um produto perecível que não pode esperar muito tempo pelo embarque", lembrou ele. Segundo Garcia, um navio já deixou de partir ontem (26) com carga de laranja in natura e está aguardando no porto de Santos. "Cada dia que este navio espera no porto custa mais US$ 15 mil, além da perda da laranja, que deverá ser destinada à indústria e não mais à exportação in natura", disse. Segundo Garcia, as empresas da região continuam fazendo o embarque da fruta e do suco. "Pelo menos no caso do suco não há perda extraordinária, já que ele está armazenado em tanques refrigerados e pode embarcar posteriormente", explicou. Segundo ele, a situação deverá ficar crítica se a greve se estender por mais um dia.





