Greve de caminhioneiros isola a França
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2000
Por Reali Júnior 
Paris, 10 (AE) - Um movimento de caminhoneiros foi deflagrado hoje (10) na França para protestar contra a aplicação da lei de redução do tempo de trabalho para 35 horas semanais e o aumento do preço do litro do óleo diesel.
Cerca de mil caminhões formaram barreiras em mais de 45 pontos do país e impediram o tráfego de caminhoneiros nas estradas que ligam a França à Espanha, Alemanha, Suíça, Bélgica, Itália e Luxemburgo, permitindo apenas o trânsito de veículos particulares. Nesse fim de férias, os numerosos turistas europeus que pretendiam deixar a França tiveram de ter muita paciência na travessia das fronteiras francesas, enfrentando grandes congestionamentos.
Três sindicatos de transportadores, FTR, TLF e Unostra, mobilizaram-se para estabelecer as barreiras estratégicas. A intenção, segundo o sindicalista Stephane Levesque, era "isolar a França de seus vizinhos". Levesque está convencido de que essa política irá garantir uma concorrência leal e equilibrada. Ele condena o decreto de aplicação da lei das 35 horas, atualmente em discussão no Ministério dos Transportes, além da alta de 7 centavos por litro de diesel, que, de acordo com as organizações profissionais e patronais, agravam a carga sobre as empresas francesas que sofrem uma forte concorrência das estrangeiras.
Atualmente, os motoristas de caminhão que realizam o transporte internacional e de longa distância trabalham até 62 duas horas semanais, enquanto os domésticos perfazem 53 horas semanais, em média.
Com a nova regulamentação, os primeiros terão de se adaptar a um máximo de 39 horas semanais, enquanto os demais deverão se alinhar às 35 horas.
Eles até poderão trabalhar mais, desde que as empresas se disponham a pagar horas extras ou aplicar os decretos de repouso suplementar. Por enquanto, as federações dos transportadores rejeitam estas disposições. Nos demais países europeus, os motoristas de transporte internacional trabalham até 70 horas semanais.
A aplicação da lei das 35 horas atinge apenas metade da categoria, que está trabalhando para empresas com mais de 20 assalariados. As pequenas empresas com menos de 10 assalariados só deverão aplicá-la a partir de janeiro de 2001.


