Londrina - A adesão dos agentes penitenciários à greve que teve início no sábado aumentou ontem e deve atingir todas as 28 unidades prisionais sob a administração e trabalho desses profissionais, afirma o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen). Enquanto isso, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP) do Paraná afirma que a adesão é de 60% da categoria e tenta, na Justiça, acabar com o movimento.
A paralisação começou no sábado em 24 estabelecimentos prisionais, com adesão de 90% da categoria, mas aumentou para 26 ontem, abrangendo 95% dos servidores, segundo a presidente do Sindarspen, Petruska Sviercoski. As únicas unidades que não haviam parado são a unidade 1 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e a Casa de Custódia de Londrina (CCL), que devem aderir hoje.
A greve suspendeu ontem a visita a detentos e provocou protesto em frente à unidade 2 da PEL. Uma carta anônima atribuída a presidiários reclamando da suspensão da visitação e ameaça de motins começou a circular ontem.
A categoria cruza os braços no momento em que o governo do Paraná quer conceder reajuste de 5% nos salários dos servidores estaduais – que pedem pelo menos a reposição da inflação, calculada em 8,17% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Servidores estaduais também querem a revogação da lei que alterou a Paranaprevidência. Porém, ressalta Petruska, a categoria ainda pleiteia mais segurança para o exercício da função.
De acordo com ela, hoje existem cerca de 3,4 mil agentes penitenciários contratados pelo Estado, mas a defasagem é de 1,2 mil. O quesito segurança, diz, vai além de mais servidores, englobando também a capacitação e treinamento e o aprimoramento dos grupos de intervenção tática, entre outros. Mesmo a atenção ao detento é importante, já que as más condições acabam levando às rebeliões nos presídios.

CARTA

Uma carta aberta atribuída à "população carcerária do Estado do Paraná", direcionada à imprensa, foi divulgada ontem para reclamar da suspensão das visitas. O documento, cheio de erros ortográficos, faz alerta sobre o "caos" do sistema carcerário estadual, que seria ocultado pela "maquiagem" da pasta responsável.
O texto acusa os agentes penitenciários de tentar provocar uma "megarrebelião" no Estado, em resposta à suspensão das visitas, para pressionar o governo a atender às reivindicações da categoria.
Apesar de afirmar que os presos "não vão se deixar manipular" e "vão manter o diálogo até que se esgotem os meios legais", a carta termina com ameaça de revolta. "Se amanhã ou depois agentes forem feitos reféns dentro das unidades, pedimos que se recordem que, para isto ocorrer, várias esposas ou mães viajaram até mil quilômetros e se depararam com a greve, impedindo as famílias de visitarem seus entes queridos", diz um trecho.
Em seguida, alerta para que "não se recordem do nosso grito de socorro somente quando estiverem em cima dos telhados, com agentes penitenciários feitos reféns com unidades penais pegando fogo".
Petruska refuta que a paralisação provoque rebeliões, lembrando que elas ocorreram mesmo sem greves durante o governo Beto Richa (PSDB). Também argumenta que as condições para os motins são criadas pelo próprio Estado, ao não dar assistência à população carcerária.
A assessoria de imprensa da Sesp afirmou apenas que o setor de inteligência monitora movimentações de rebeliões constantemente.

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