Greve de advertência continua na fábrica da General Motors
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, 20 (AE)- Os funcionários da General Motors de São José dos Campos entraram hoje no segundo dia de greve com a promessa de radicalizar o movimento caso haja qualquer retaliação por parte da empresa. Em nota oficial, a direção da companhia classificou a paralisação como uma provocação e aventou a possibilidade de demitir empregados. Segundo o sindicato dos metalúrgicos o objetivo é advertir a empresa quanto às exigências salariais. " Ninguém vai se intimidar com essas chantagens", comentou o diretor sindical Luis Carlos Prates.
Os sindicalistas voltam a negociar a pauta de reivindicações na quinta-feira com a direção da montadora. A greve será suspensa também nesta data, depois de ter completado 48 horas. Prates afirmou que se a empresa dispensar qualquer dos grevistas o prazo da paralisação das atividades produtivas será ampliado e os operários ocuparão a fábrica. " Existe um consenso entre os trabalhadores para resistir as ameaças", explicou.
Outro ponto que estremeceu ainda mais a desgastada relação entre a GM e os sindicalistas foi a direção da montadora taxar a greve de "provocação". Os dirigentes metalúrgicos disseram que a companhia afronta os trabalhadores quando ameaça subir o preço dos carros mesmo sob isenção de impostos e evita rever as perdas salariais. "Queremos que esse movimento se estenda para outras montadoras ", revelou Prates.
Caso as negociações da reunião de quinta-feira fracasse haverá uma nova assembléia na sexta-feira com os 8,6 mil funcionários da multinacional. A continuidade da paralisação das linhas de montagem será a principal proposta a ser discutida no encontro. Prates ainda informou que a adesão ao movimento é total e os comandos de greve instalados dentro da fábrica tem impedido qualquer tentativa de se retomar a produção.


