Curitiba - A paralisação dos docentes das instituições federais completou ontem uma semana e, mesmo após o apelo feito pelo ministro da Educação, Aloízio Mercadante, para que os professores retomassem as atividades, a mobilização ganha força e já atinge 44 universidades em todo o Brasil, segundo o último balanço do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN).
No Paraná, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Técnológica Federal do Paraná (UTFPR) estão com grande parte das aulas suspensas. As duas instituições possuem cerca de cinco mil docentes e mais de 50 mil estudantes.
Ontem à tarde, em Foz do Iguaçu (Oeste), os 130 docentes da Universidade Federal da Integração Latina-Americana (Unila) também aprovaram a paralisação das atividades a partir de hoje. Com isso, aproximadamente 1,3 mil estudantes ficam sem aulas. Segundo Gisele Ricobom, presidente da Associação dos Docentes da Unila (Adunila), além da pauta nacional divulgada pelo Comando Nacional de Greve, os professores também cobram a institucionalização da instituição e melhorias da infraestrutra da universidade que, por enquanto, é provisória.
''Normalmente nas paralisações anteriores alguns departamentos, como de engenharia e medicina não aderiam à greve. Desta vez toda a categoria está mobilizada, cobrando a abertura de negociação com o governo. Estamos esperando uma resposta que até agora não apareceu'', destacou Luiz Alan Kunzle, presidente da Seção Sindical da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR).
Entre as reivindicações da categoria estão a carreira única com incorporação em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para cada regime de 20 horas, e percentuais de acréscimo relativos à titularidade e regime de trabalho. A categoria ainda pede valorização e melhorias nas condições de trabalho.
A UFPR têm três campi em Curitiba, Litoral e Palotina (Oeste), com aproximadamente 3 mil docentes e cerca de 26 mil estudantes de graduação. Já a UTFPR possui 1.985 professores e 25.634 alunos em instituições na capital, em Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio, Campo Mourão, Medianeira, Francisco Beltrão, Toledo, Pato Branco, Dois Vizinhos, Guarapuava e Ponta Grossa.
''Apenas o campus de Guarapuava que é mais novo não tem professores mobilizados. Em todos os outros campi os docentes aderiam à paralisação. Isto mostra a força da categoria que busca melhorias. A greve está se consolidando enquanto o governo não apresenta propostas concretas, apenas ''finge'' estar negociando'', ressaltou Ivo Queiroz, presidente do Sindicato dos Docentes da UTFPR (Sindutfpr). A próxima reunião entre representantes do Comando Nacional de Greve e do governo federal está marcada para a próxima segunda-feira.

Imagem ilustrativa da imagem Greve das federais completa uma semana
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