Delegacias fechadas, esquinas sem policiais de trânsito, poucos militares nos quartéis. Em Belém, foi este o resultado do primeiro dia de greve dos policiais civis e militares do Pará. Segundo Justiniano Alves Júnior, presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), a adesão ao movimento, na capital, foi de 90%. Santarém, Marabá, Castanhal e Itaituba, cidades que estão entre as mais populosas do Estado, também reforçaram a paralisação.
É a primeira greve policial da história do Pará. Os civis querem 75% de reajuste salarial e os militares pedem 70%. Os salários não são reajustados há três anos. O governador Almir Gabriel (PSDB) ofereceu anteontem à noite um abono de R$ 100,00 a 16 mil policiais civis, militares e bombeiros, mas os policiais reunidos em assembléia mantiveram a decisão de entrar em greve.
O coronel Torres Benigno, da PM, que estava entre os manifestantes, denunciou ter sido agredido a socos e pontapés por um militar encapuzado. Ele não registrou queixa na polícia nem pediu para se submeter a exame de corpo de delito. ‘‘Apanhou porque era infiltrado e provocador a serviço do governo’’, justificou um outro PM.
Pela manhã, os grevistas se concentraram na Praça do Operário, onde discutiram e aprovaram uma proposta ao governo que posteriormente, numa passeata que reuniu cerca de 1.500 pessoas, foi levada até a Secretaria de Planejamento e entregue ao secretário, Simão Jatene. Os policiais civis querem que a gratificação por risco de vida suba dos atuais 50% para 100%. Delegados e peritos criminais, por sua vez, reivindicam gratificação de 50%, ao invés dos 25% pagos atualmente. O pessoal de nível básico e médio pleiteia um reajuste de 75% nas gratificações. Hoje, o governo paga 25%. A proposta dos policiais militares prevê um aumento de 100% na gratificação por risco de vida. A gratificação chamada habilitação policial militar subiria de 30% para 80%. Com essa proposta, o salário de um soldado da PM e de um investigador da Polícia Civil passaria para cerca de R$ 320,00.
O governador Almir Gabriel oferece um abono de R$ 100,00 para que as duas categorias retornem ao trabalho. O abono é rejeitado porque os policiais dizem que ele pode ser cancelado quando o governo bem entender. Gabriel também propõe elevação do valor do pecúlio, 1.500 lotes urbanizados e casas, seguro de invalidez permanente e morte em serviço, e promoção de policiais civis.

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