Greve atinge seis refinarias
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quarta-feira, 09 de agosto de 2000
Israel Reinstein De Curitiba e Agência Folha 
Cerca de 70% dos petroleiros da Petrobras aderiram ontem à paralisação convocada pela Federação dos Petroleiros, segundo estimativa da Federação Única dos Petroleiros (FUP). De acordo com a assessoria de imprensa da Petrobras, não houve troca de turno em seis das 11 refinarias da estatal: na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio, na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Belo Horizonte, na refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP), na de Capuava (SP), na Refinaria Paulínia (Replan), em Paulínia (SP) e na refinaria de Araucária (PR). Apesar disso, de acordo com a empresa, não houve redução na produção.
A paralisação é um protesto contra o projeto de venda das ações excedentes da Petrobras. A FUP pretendia protestar também contra a falta de segurança no trabalho, o enxugamento de recursos humanos e um acordo firmado mês passado entre a Petrobras e a empresa argentina Repsol-YPF, que prevê uma troca de ativos, com total estimado em US$ 1 bilhão.
Os petroleiros queixam-se que desde 86 não existe concurso para admissão na empresa. Em 1989, existiam 60 mil trabalhadores na empresa. Hoje, dez anos depois e com a capacidade de produção dobrada, existem 25 mil trabalhadores a menos.
Os cerca de 150 funcionários da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, situada em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, paralisaram as atividades. A mobilização, que contou com integrantes dos setores de refino e administrativo, começou às 23h30 de terça-feira e estava prevista para encerrar no mesmo horário de ontem. Segundo a coordenação da Repar, o protesto não afetou a produção da refinaria.
De acordo com o tesoureiro do Sindipetro do Paraná, Jaime de Oliveira Ferreira, em torno de 80 funcionários deixaram de render dois turnos - das 23h30 de anteontem e das 15h30 de ontem. A Repar informou que apenas 40 deixaram de trabalhar.
Também foram distribuídos panfletos. Os funcionários comemoraram a decisão da Justiça que reintegrou uma das pessoas demitidas, sob acusação de ser responsável pelo vazamento de 4 milhões de litros de óleo, afirmou.
Ferreira disse que o funcionário, que trabalha no terminal da empresa em São Francisco do Sul (SC), foi incorporado. A Justiça entendeu que ele não teve direito se defender das acusações, afirmou, acrescentando que um novo processo deve ser aberto para apurar o caso.
O tesoureiro do Sindipetro disse que a decisão mostra o desmonte da empresa. Não se pode entender por que se quer vender ações da empresa, quando os lucros seriam maiores que os ganhos obtidos com a comercialização em bolsa, afirmou.
De acordo com Ferreira, o governo está fazendo uma privatização disfarçada. Diversos setores já foram terceirizados. Os resultados dessa modernização podem ser verificados com o vazamento de óleo. Ele acrescentou que a empresa, antes do vazamento, havia desestruturado a brigada de incêndio. Se houver fogo, vamos ter problemas para combatê-lo, disse. (Leia mais sobre a Petrobras no Folha Economia)


