Curitiba- A greve dos agentes penitenciários das unidades terceirizadas chegou ontem ao quarto dia e atinge cinco instituições do Paraná. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Administradoras de Casas de Custódia e Penitenciárias do Estado do Paraná (Sintepec), o movimento envolve trabalhadores da Penitenciária Industrial de Cascavel; das penitenciárias estaduais de Foz do Iguaçu e Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) e das casas de Custódia de Curitiba e Londrina.
Por questão de segurança, 30% dos funcionários de cada turno continuam trabalhando. O comando de greve informa que os serviços essenciais são mantidos, mas que as visitas de familiares de presos em algumas unidades podem ser prejudicadas. A paralisação começou na quinta-feira, nas unidades de Foz e Cascavel, onde o movimento é mais expressivo. Anteontem, a Casa de Custódia de Curitiba (que atravessa a divisa com Araucária, também na região metropolitana) aderiu ao movimento e ontem nas de Piraquara e Londrina também houve adesões à greve. Entre as terceirizadas paranaenses, só a unidade de Guarapuava não aderiu.
Reajuste salarial de 30% é a principal reivindicação dos agentes. Mas eles também querem adicional de risco, plano de saúde e reajuste no vale-refeição passando de R$ 35 para R$ 130. O salário inicial dos agentes penitenciários privados é R$ 605, enquanto os agentes penitenciários públicos recebem, inicialmente, R$ 1,9 mil. O delegado do Sintepec, Ocrides Vieira, de Curitiba, diz que a adesão à greve está acima do esperado e lembra que a paralisação é por tempo indeterminado. O sindicato está denunciando também irregularidades dentro das unidades. Uma delas é conceder armas para funcionários que não têm preparo técnico para isso.
O diretor-executivo do Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap), responsável pelas unidades de Cascavel, Foz, Londrina e Curitiba, José Mario Valério, garantiu ontem que ''as rotinas principais'' das unidades atingidas pela greve ''estão sendo mantidas''. Ele disse que a paralisação é parcial em Foz, Cascavel e Curitiba.
Segundo Valério, a Casa de Custódia de Londrina não tem grevistas, apesar do Sintepec dizer o contrário. O diretor do Inap disse que a empresa está se empenhando para fechar um acordo com os agentes penitenciários em greve, mas que são ''inviáveis'' os 30% de aumento exigidos pela categoria. Valério disse que os agentes tiveram salários reajustados em 15% no ano passado e que agora a empresa está disposta a utilizar o Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC) do último ano nas negociações. ''Não conseguimos consenso nas reuniões que tivemos na Justiça do Trabalho. Mas continuamos tentando um acordo'', afirmou.
O Sintepec e as empresas que administram as unidades devem se reunir nesta semana. Uma nova rodada de negociação na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) está sendo articulada. A Folha procurou a Montesinos, administradora da Penitenciária de Piraquara, mas o diretor responsável estava viajando. (Colaborou Leandro Donatti)

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