Greve atinge advogados federais, PF e RF
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quarta-feira, 10 de março de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os advogados públicos federais que atuam no Paraná procuradores da Fazenda, procuradores Federais, advogados da União e defensores públicos da União decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado. A data para o início da paralisação ainda não foi definida, já que depende de decisão do comando nacional de greve. Entre as reivindicações da categoria, que reúne cerca de 230 profissionais em todo o Estado, estão a equiparação salarial com o Ministério Público (MP) federal, vencimentos iguais para os ativos e inativos, melhoria da infra-estrutura de trabalho, fim da terceirização de advogados e inclusão da advocacia pública federal nas discussões da reforma do Judiciário.
''Já temos notícias de vários outros estados que também já sinalizaram pela greve. Só falta a definição nacional, que deve sair amanhã'', afirmou o procurador federal e representante estadual da Associação Nacional dos Procuradores Federais (Anpaf), Eduardo Sens dos Santos.
Segundo ele, as instalações físicas e os equipamentos usados pelos advogados públicos federais estão em péssimo estado e não há quantidade suficiente. Além disso, Santos afirma que muitos advogados são terceirizados, ganhando mais que os procuradores e sem a isenção necessária para a função. Os procuradores querem também ser incluídos nas discussões da reforma do Judiciário e garantir autonomia para realizar concursos públicos.
Já os agentes da Polícia Federal (PF) continuam em greve. No Paraná, segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Naziazeno Florentino Santos Júnior, a adesão é total. No Brasil, cerca de 92% dos policiais estão parados, de acordo com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).
Na tarde de anteontem o diretor geral da PF baixou uma portaria determinando que deveriam ser tomados dos agentes seus coletes e suas armas. ''Nossa arma está guardada e o colete é nosso. Ninguém gosta de ser ameaçado, muito menos policial. Ninguém vai tirar nada de nós'', afirmou o vice-presidente da Fenapef, João Valderi de Souza. Souza comentou que os agentes que voltarem ao trabalho terão seus nomes e suas fotos divulgados no site da federação.
Também os técnicos da Receita Federal fizeram ontem uma paralisação de advertência para chamar a atenção do governo Lula para melhoria nos salários e nas condições de trabalho. Segundo o delegado do Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal (Sindireceita), João Caputo e Oliveira, o Paraná reúne cerca de 460 técnicos. A maioria deles está concentrada em Foz do Iguaçu (161). Por causa das operações de fiscalização na Ponte da Amizade, fronteira com o Paraguai, eles decidiram manter as atividades. Ele calcula que adesão ao movimento chegou a 60% no Estado, com destaque para as delegacias de Londrina, Cascavel, Ponta Grossa e Paranaguá, onde a paralisação teria sido total. Até o final do mês, os técnicos da Receita decidem se, a exemplo das outras categorias, também farão greve.


