Greve ameaça transportes de valores
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Funcionários das empresas de transportes de valores de todo o Paraná prometem cruzar os braços a partir da zero hora de amanhã. A decisão favorável à greve, por tempo indeterminado, foi tomada em assembléias realizadas na última terça-feira. Os trabalhadores pedem 20% de aumento nos salários e no valor dos vales-refeição, além da alteração no índice do adicional de risco de vida de 20% para 30%. A proposta patronal, segundo o sindicato que representa a categoria, não agradou os empregados.
A expectativa do presidente do Sindicato dos Vigilantes e da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Segurança Privada do Paraná, João Soares, é de que os cerca de 1,5 mil funcionários paralisem suas atividades a partir desta quinta-feira. ''Com a fúria que os trabalhadores estão pelo desrespeito do empresariado, eu acredito que a adesão à greve se aproxime de 100%'', declarou. Curitiba concentra mais de metade dos trabalhadores: cerca de 800.
A paralisação, se confirmada, vai afetar os bancos em um dia de grande movimentação de dinheiro por causa do pagamento de salários e vencimento de contas. Soares disse que a escolha pela data não foi proposital no sentido de complicar ainda mais a rotina das agências bancárias. ''Foi apenas uma coincidência'', garantiu, lembrando que a data-base da categoria é o dia 1º de fevereiro. O salário médio inicial dos trabalhadores no transporte de valores, segundo Soares, é de R$ 850.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Valores do Paraná, Gerson Benedito Pires, disse que lamenta a posição do sindicato dos trabalhadores, pois segundo ele, as negociações não foram encerradas. ''O que inflamou os trabalhadores foi a notícia vinculada pelo sindicato obreiro de que a proposta patronal é de 0% e não é isso'', garantiu.
De acordo com Pires, os patrões ofereceram 5% de reajuste, sendo 1% nos salários e 4% em forma de vale-alimentação, que seria no valor de R$ 35 por mês. Ele informou que a proposta se aproxima do índice levantado na mesa redonda da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que seria de 6,5%. Quanto ao adicional de risco, ele argumentou que o pedido não se justifica, pois as empresas estariam investindo na potencialização da segurança dos carros-fortes, reforçando a blindagem, e porque não há estatísticas que demonstrem que os empregados estejam sendo mais expostos a riscos no trabalho.
A Folha procurou a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para repercutir os possíveis transtornos com a greve, mas a assessoria de imprensa informou que a entidade não se manifestaria sobre o assunto.


