São Paulo, 14 (AE) - As negociações entre o governo do Estado de São Paulo e os líderes dos servidores públicos em torno do projeto de reforma da Previdência chegaram a um impasse que ameaça pôr fim ao diálogo. O líder do governo na Assembléia, Walter Feldman (PSDB), condenou hoje a greve de 24 horas convocada pelos representantes dos servidores para sexta-feira (17), como protesto contra a reforma. "Ao fazer a greve, eles rompem com as regras democráticas", afirmou Feldman, que chamou os líderes dos servidores de "intransigentes" e "equivocados".
"Essa atitude é muito semelhante ao pedido de saída de Fernando Henrique Cardoso da Presidência", comparou Feldman, referindo-se ao slogan da Marcha dos Cem mil, realizada em Brasília. Para ele, esses gestos não têm mais lugar na democracia. "Os modelos de relação da vida democrática são outros", observou Feldman, acrescentando que, no passado, foi líder dos servidores e, portanto, não estaria falando como "reacionário".
"O governo está realmente chateado", reforçou. "A greve prejudica o cidadão, que vai querer saber o que isso tem a ver com um projeto em tramitação na Assembléia." Para Feldman, a Casa é o canal para as negociações e, por isso, foi marcada uma audiência pública para o dia 29. A proposta do governo aumenta as alíquotas de contribuição dos servidores ativos e inativos e passa a cobrar dos pensionistas.
Além da greve, os dirigentes das entidades que representam os servidores marcaram um ato para a tarde de sexta-feira, diante do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Do lado do funcionalismo, há queixas contra as negociações na Assembléia. "O diálogo só vai acontecer depois de uma grande manifestação", afirmou o presidente da Federação das Entidades dos Servidores Públicos de São Paulo, José Gozze.
Gozze espera reunir mais de 25 mil pessoas diante dos jardins do palácio e obter, no mesmo dia, uma audiência com o governador Mário Covas (PSDB). Os líderes dos servidores querem demonstrar força para pedir a rejeição total da proposta apresentada pelo governo. Eles condenam, principalmente, pontos como a cobrança de alíquotas progressivas prevista na nova Previdência.

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