Curitiba- A operação-padrão dos fiscais da Receita Federal de Paranaguá, que já dura 45 dias, pode paralisar a linha de produção de várias empresas do Paraná devido à demora na liberação das mercadorias que chegam ao Porto de Paranaguá. Os setores produtivos de todo o Estado querem que o governo atenda as reivindicações dos grevistas ou procure uma solução negociada para evitar prejuízos maiores.
As empresas do pólo automotivo no Estado nunca passaram por um período tão crítico por falta de peças importadas e algumas podem paralisar a linha de montagem porque estão sem componentes, disse ontem o diretor regional do Sindipeças do Paraná, Benedicto Kubrusly.
De acordo com o empresário, algumas montadoras até tentaram trazer as peças por avião, mas não conseguem repassar o alto custo dessa operação para o produto final. ''Fica inviável economicamente trazer peças e componentes por outros meios que não seja o navio'', explicou. ''Se o governo não solucionar urgentemente o problema vai comprometer seriamente todo o parque automotivo instalado no Estado'', afirmou.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), que já havia recorrido com sucesso à Justiça em abril, no início do movimento dos fiscais da Receita Federal de Paranaguá, entrou novamente com pedido de liminar na semana passada. Pela segunda vez, obteve decisão favorável da Justiça Federal de Paranaguá que libera o desembaraço de mercadorias para todas as indústrias filiadas ao Sistema Fiep.
A liminar é estendida a 30 mil indústrias de todo o Estado vinculadas aos sindicatos filiados à Fiep. De acordo com a Justiça Federal, a liberação das mercadorias deve ocorrer no prazo máximo de cinco dias. Com a liminar, as empresas filiadas à Fiep só precisam apresentar a documentação da mercadoria e do recolhimento de tributos para terem seus produtos liberados.
Outras empresas também estão recorrendo à Justiça. A Justiça Federal de Paranaguá informou que por semana são impetrados cerca de dez pedidos de liminar. Mas nem com decisões favoráveis da Justiça o problema é solucionado. O vice-presidente da Unafisco-Paranaguá, Marco Antonio Alves, disse que não há efetivo de fiscais suficiente para atender as determinações judicais. Segundo ele, desde que a Justiça começou a se manifestar favoravelmente aos pedidos de liminares das grandes empresas vinculadas ao Sistema Fiep, todo o efetivo de fiscais passou a cumprir as decisões, mas não está dando conta do serviço.
Alves calcula que mercadorias de pequenas e médias empresas estão paradas no porto há quase 50 dias porque os fiscais estão exclusivamente cumprindo as decisões judiciais. ''É lamentável que as decisões judiciais estejam prejudicando as pequenas e médias empresas'', afirmou. Atualmente são sete fiscais trabalhando no desembaraço de mercadorias. A direção do sindicato pediu a realocação de mais dois funcionários e até agora não conseguiu.
O delegado da Receita Federal de Paranaguá, Marco Antonio Franco, não atendeu a reportagem da Folha.

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