Campinas, 28 (AE) - O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região (Recap) informou hoje (28) que pode começar a faltar combustíveis a partir de sexta-feira(30), caso o bloqueio iniciado há dois dias pelos caminhoneiros nas principais rodovias do Estado continue impedindo o transporte dos produtos. O presidente da entidade, Emílio Roberto Martins, disse que os 1,2 mil postos em 88 municípios da região têm estoques apenas para mais um dia.
"Se acontecer uma corrida aos postos, os estoques podem acabar antes", disse Martins. Ele informou que os postos da região receberam combustíveis pela última vez na segunda-feira.
Segundo Martins, nenhuma distribuidora estava aceitando novos pedidos hoje. "Não há garantia de que o combustível seja entregue", disse.
As seis distribuidoras de combustíveis que têm base em Paulínia, não realizaram nenhum carregamento até as 14 horas de hoje. Cada unidade recebe, em média, cerca de 250 caminhões por dia, responsáveis pelo transporte de combustíveis para o interior do Estado, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Estima-se que o protesto dos caminhoneiros impediu o carregamento de pelo menos 30 milhões de litros nesta quarta-feira.
Os responsáveis pelo movimento bloquearam o tráfego na altura do quilômetro 122 da rodovia Milton Tavares (SP- 332), que liga Campinas a Paulínia. A estrada é considerada estratégica porque é o único meio de acesso às seis distribuidoras de combustíveis abastecidas pela Refinaria de Paulínia (Replan). Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), cerca de 1,2 mil caminhões circulam pelo local todos os dias carregando derivados de petróleo.
Até o início da tarde de hoje , pelo menos 800 caminhões permaneciam parados no local, formando um congestionamento de dez quilômetros nas duas pistas. "Ainda não recebemos nenhum caminhão hoje", disse Antonio Prado, que trabalha no setor de carregamento da Distribuidora Texaco. Segundo ele, os veículos não estão conseguindo passar pelo bloqueio.
O bloqueio nas rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Dom Pedro I, também afetou a economia da região. A Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC) informou que o comércio local está registrando um prejuízo de R$ 1,5 milhão por dia por falta de reposição dos estoques.
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) informou que, se os bloqueios não terminarem, as fábricas de produtos químicos e alimentos terão de interromper as atividades a partir de hoje (29) por falta de matéria prima.
Em São Carlos, a fábrica de motores da Volkswagen, que produz mil unidades por dia, suspendeu a produção hoje por falta de peças. Os 600 funcionários da empresa passaram o dia sem trabalhar. "Essa situação pode gerar prejuízos em cadeia, porque sem motores as montadoras também não poderão fabricar os veículos", disse o gerente da unidade, José Correa Rebelo.
O presidente da Ceasa-Campinas, Sergio Pupo Nogueira Júnior disse que o bloqueio nas estradas provocou uma queda de 70% no volume de negócios. Segundo ele, o entreposto, que movimenta cerca de R$ 1 milhão por dia, registrou ontem apenas R$ 300 mil. "Carregamentos de vários produtos, como mamão papaia e banana, não conseguiram chegar", disse.
Das 1,5 mil toneladas que chegam à Ceasa todos os dias, apenas 600 foram descarregadas.

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