Greve afeta hospitais em Campinas
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 04 (AE) - A greve dos servidores municipais de Campinas, iniciada à zero hora de hoje, afetou principalmente os hospitais "Mário Gatti" e Ouro Verde, que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pelo menos 25 dos 44 centros de saúde também não funcionaram, segundo o Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais. Os trabalhadores protestam contra a ameaça de demissão em massa e cortes nos benefícios trabalhistas.
Cerca de 70% dos 1,3 mil funcionários do hospital "Mário Gatti" aderiram ao movimento, segundo avaliação da administração municipal. Apenas os casos de urgência e emergência foram atendidos. A unidade registra, em média, 800 consultas por dia entre crianças e adultos.
Até o início da tarde, haviam sido realizadas apenas 63 atendimentos no pronto socorro infantil e 84 no adulto.
A situação também ficou crítica no hospital Ouro Verde e no Pronto Socorro São José, responsáveis pelo atendimento à população de 40 bairros na periferia da cidade. Nas duas unidades, apenas 30% dos funcionários continuaram trabalhando. Nos Centros de Saúde, segundo avaliação da administração municipal, a paralisação foi parcial e não prejudicou a população.
Se a greve prosseguir, a partir de hoje deverá haver sobrecarga de atendimento em outras unidades de saúde. Na última paralisação da categoria, realizada em junho, o hospital Celso Pierro, administrado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), registrou um aumento de até 60% no atendimento diário. A situação também ficou crítica no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A paralisação foi decidida em assembléia que reuniu cerca de 1,5 mil servidores ontem (03) à noite no saguão do Paço Municipal. No mesmo dia, o prefeito Chico Amaral (PPB) havia enviado à Câmara um projeto de lei propondo, pela segunda vez no ano, cortes nos benefícios trabalhistas, como auxílio refeição, convênio médico e adicionais de insalubridade e periculosidade. A prefeitura também quer reduzir em 25% a jornada de trabalho e os salários.
O prefeito ameaça demitir pelo menos três mil dos 1,5 mil funcionários, caso o projeto de lei não seja aprovado pela Câmara. Segundo ele, "o remédio é amargo", mas evitaria as dispensas, programadas para a segunda quinzena de agosto. A lista de demissões, de acordo com Amaral, inclui apenas servidores não concursados. De acordo com o prefeito, as medidas são necessárias para zerar o déficit mensal, da ordem de R$ 12 milhões.
O diretor do Sindicato dos Funcionários, Fábio Custódio, alega, porém, que há outras alternativas para reduzir o déficit. A categoria, segundo ele, propõe a demissão de 300 dos 530 servidores comissionados, a redução nos contratos de terceirização, e cobrança da dívida ativa, avaliada em R$ 440 milhões. "Nosas propostas foram ignoradas", diz Custódio.


