O ministro da Justiça, José Gregori, afirmou ontem que as invasões de prédios públicos em alguns Estados, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), têm ‘‘motivação eleitoral’’. O ministro considera ‘‘coincidência’’ que as invasões tenham recomeçado justamente na época das eleições.
De acordo com Gregori, os manifestantes serão retirados dos prédios públicos pela Polícia Federal. ‘‘Vai haver desocupação, a lei existe e será cumprida’’, disse o ministro, garantindo que não haverá violência.’’ Não queremos violência; esta ação também não significa o fim do diálogo com o movimento’’, afirmou Gregori.
Para Gregori, não se justifica a alegação do MST de que o governo estaria atrasando a liberação de verbas para a reforma agrária.‘‘Às vezes, os recursos são liberados com alguns atrasos, mas a verba sempre sai; isso não é argumento para reiniciar as invasões’’. De acordo com Greogri o MST havia dado uma trégua de quatro meses ao governo federal. Nesse periodo, segundo ele, os sem-terra prometeram não fazer ocupações.
O secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Edson Luiz Vismona, criticou o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Junior, que ameaçou anteontem ‘‘colocar fogo em todos os latifúndios do Pontal do Paranapanema’’ se o governo paulista não acelerar a arrecadação de terras para a reforma agrária na região.
‘‘Ele está se aproveitando da minha ida à Presidente Prudente, na sexta-feira, para criar um fato. O que ele disse faz parte da guerra de declarações’’, afirmou Vismona. Segundo o secretário, o cronograma de ações discriminatórias foi definido no final de julho e está sendo cumprido sem atrasos. ‘‘O Rainha sabe disso desde o início de agosto’’, garantiu Vismona.(A.E.)

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