O secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, apelou ontem ao secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, que o governo do Estado ‘‘faça todo o possível para que não haja mais violência no Paranᒒ. O assessor do Conselho de Defesa da Pessoa Humana (CDPH), Victor Carvalho Pinto, que acompanhou a reunião entre Gregori e representantes do Estado, em Brasília, disse que o apelo foi ‘‘geral’’ porque também participaram do encontro membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o deputado federal Padre Roque (PT).
‘‘Ele apelou às partes que façam o possível para evitar a violência’’, disse Victor Pinto à Folha. Segundo o assessor, o Conselho irá analisar os dossiês entregues pelo Governo do Estado e pela CPT sobre os conflitos agrários no Paraná. O CDPH ouviu o depoimento de Cândido Martins e do secretário da Justiça, José Tavares, convocados pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros, para explicar quais as providências adotadas para pôr fim aos confrontos.
A ordem do ministro foi dada na semana passada, depois de um encontro com líderes da CPT e do MST, que relataram a Calheiros o assassinato de Eduardo Anghinoni, irmão do líder do MST em Querência do Norte, Celso Anghinoni, e o sequestro de Seno Staats. O ministro não participou da reunião ontem, mas, segundo o CDPH, receberá os dossiês.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, Cândido Martins esclareceu ‘‘não haver nenhum inquérito policial ou denúncia sem solução sobre os sem-terra do Paranᒒ. O relatório entregue ao secretário de Direitos Humanos lista 13 casos de agressões contra integrantes do MST ocorridos no Estado desde 1997 e outros 37 casos em que os sem-terra são acusados de crimes como dilapidação de patrimônio em invasões e assassinatos.
Para o deputado Padre Roque, a Secretaria de Segurança Pública quis mostrar que todos os problemas agrários do Estado têm solução. ‘‘Mas é preciso igualdade de tratamento. Quando é para indiciar sem-terra, a Secretaria de Segurança trabalha rápido. O mesmo não acontece com os ruralistas’’, acusou. Apesar das críticas, ele acredita que a reunião em Brasília deve trazer ‘‘ações mais objetivas por parte das autoridades do Paranᒒ.
A reunião do CDPH também foi acompanhada pelo ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, e por membros da Comissão Nacional dos Direitos Humanos.

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