Gregori defende cassação de deputado acusado de racismo
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 09 (AE) - O secretário de Estado de Direitos Humanos, José Gregori, quer a cassação do mandato do deputado Remi Trinta (PL-MA) por falta de decoro parlamentar. Na opinião do secretário, o deputado reeleito cometeu crime de racismo contra o co-piloto da Transbrasil, Sérgio Arquimedes, que é negro. Segundo Gregori, o parlamentar também deve responder a processo por ter causado confusão na aeronave da Transbrasil em consequência de embriaguez.
"O deputado teve um comportamento aético que fere o decoro da Câmara", afirmou o secretário, após receber o co-piloto e uma comissão de representantes de entidades de defesa dos negros. O conselheiro Mário Nelson Carvalho, do Coletivo de Empresários Afro-Brasileiros, que acompanhou a audiência, promete denunciar o caso à Corte Interamericada de Direitos Humanos se o deputado for poupado.
No dia 31 de janeiro, o deputado foi preso em flagrante pela Polícia Federal e forçado a desembarcar em Belém, interrrompendo a viagem de São Luiz a Brasília.Logo que embarcou, segundo conta o co-piloto, o deputado discutiu com um comissário e uma passageira por assento no avião. A agressão ao co-piloto ocorreu na troca de tripulação em Belém. "Ele cutucou as minhas costas de forma agressiva, afirmando que não admitia que lhe dessem as costas", conta Arquimedes que se recusou a responder uma pergunta do deputado. "Ele me disse que aquela atitude era sinal de que eu era complexado pela cor preta de minha pele."
Plenário - Arquimedes disse que sentiu indignação. "É como se eu fosse violentado nos mais elementares direitos primários de moral e ética", disse o co-piloto que tem 43 anos de idade e 24 de profissão. Ele diz que quer justiça e não aceita que se trate crime de racismo apenas como injúria, conforme é a intenção da Mesa da Câmara.
Integrantes da mesa tentam negociar com o co-piloto. Se não houver acordo, o plenário julgará, depois do carnaval, o relaxamento da prisão do deputado, preso em flagrante, mas libertado ficando sob custódia da mesa.
O deputado Remi Trinta escreveu hoje uma carta para o presidente da Câmara, Michel Temer, dando a sua versão. "Fui violentamente arrancado do avião", protesta. Ele defende-se da acusação de racismo, afirmando ser visivelmente descendente da raça negra e possuir secretário parlamentar, motorista e um filho de criação negros.


