Gregori assume cargo e problemas
São Paulo, 11 (AE) - José Gregori, advogado paulistano de 65 anos, é homem de confiança do presidente Fernando Henrique Cardoso, seu amigo e confidente. Sua mulher, Maria Helena, é assessora de Ruth Cardoso e a filha, a advogada Maria Stella, é diretora da Agência Nacional de Saúde.
Ainda jovem, no início da década de 60, José Gregori trabalhou com San Tiago Dantas, chanceler do então presidente João Goulart. Após a revolução de 1964, ele foi para a oposição e presidiu a Comissão de Justiça e Paz, da Igreja Católica, de 1972 a 1982, onde defendeu a investigação das mortes e do desaparecimento de militantes de esquerda.
José Gregori foi um dos fundadores do MDB em São Paulo. Em 1982, elegeu-se deputado estadual. Foi o ano da volta das eleições diretas para a escolha dos governadores, que levou ao Palácio dos Bandeirantes outro companheiro de partido, André Franco Montoro. Fernando Henrique era suplente de Montoro no Senado e assumiu o cargo em 1983.
Em 1985, Gregori foi secretário estadual da Descentralização e Participação de Montoro. Muito ligado também a Ulysses Guimarães, José Gregori iniciou logo em seguida sua nova fase em Brasília.
Atravessou quatro governos, sempre como assessor: no Ministério da Previdência de José Sarney, no Ministério da Economia de Fernando Collor, na Ouvidoria-Geral da República de Itamar Franco e no Ministério da Justiça de Fernando Henrique Cardoso.
Como secretário Nacional de Direitos Humanos, teve seu trabalho internacionalmente reconhecido. Em 1998, recebeu o Prêmio de Direitos Humanos da ONU.
Chega ao cargo de ministro sem ter conseguido completar a missão de atenuar a onda de violência e de sexo na programação das emissoras de televisão do País, buscando a elaboração de um código de ética para o setor.
Substituindo José Carlos Dias, com quem se alinhou em vários movimentos de defesa dos direitos humanos em São Paulo nos anos 70 e 80, herda antigos problemas, como o avanço da criminalidade em todo o Brasil, o sempre complicado relacionamento com a Polícia Federal e crise com o Gabinete de Segurança Institucional, do general Alberto Cardoso.





