Gregori admite alterações em projeto que proíbe venda de armas no País
São Paulo, 07 (AE) - O secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, admitiu que o projeto de lei que proíbe a venda de armas no País poderá sofrer alterações. Ele disse que podem ser admitidas exceções para permitir a compra de armas de fogo para pessoas que moram em regiões em que é necessário se defender de animais selvagens, para quem transporta valores ou em "casos de emergência". "A lei deve ter válvulas para esses casos."
Gregori disse também que os deputados e senadores terão oportunidade para corrigir alguns pontos da lei, que podem ser "aperfeiçoados". "Somos democratas e vamos ouvir todos os argumentos", disse. Na semana passada, o governo federal apresentou projeto de lei que prevê, além da proibição da venda de armas, a obrigação de entregá-las ao governo para quem já tem uma em casa. Gregori defendeu a proibição e disse que manter uma arma em casa não é uma boa defesa contra a violência no País.
"Hoje temos índices intoleráveis de violência e as pessoas têm armas em casa", afirmou. Para o secretário, o projeto de lei não terá problemas, caso sua constitucionalidade seja questionada no Supremo Tribunal Federal. "Existem aqueles que defendem o direito de o cidadão, enquanto houver insegurança
ter uma arma em casa; é uma posição respeitável, mas sem comprovação prática, pois a cada dez casos que alguém reage a um assalto, em nove a pessoa leva a pior."
Gregori também admitiu que a proibição poderá, num primeiro momento, criar um mercado negro de armas. "Toda proibição não elimina de uma hora para outra aquilo que veio coibir." Para o secretário, porém, a lei dará ao governo meios mais fáceis para combater o problema.
Efeito - O secretário diz que a lei das armas vai ter um alcance muito maior no combate à criminalidade do que as leis anteriores propostas nesse sentido. "A facilidade de ter uma arma em casa não é uma coisa que se possa tolerar", afirmou. Gregori criticou a correria em busca de armas nas lojas do ramo, pois quando a lei for aprovada, não será possível manter a arma em casa, mesmo que tenha sido registrada.
"Essa experiência do governo federal conta com o apoio dos governos estaduais para diminuir a violência." Gregori defendeu também a iniciativa do governo carioca de proibir a venda de armas de fogo naquele Estado.





