Washington, 16 (AE-DOW JONES) - O presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, afirmou que a adoção de barreiras ao livre comércio pode prejudicar o crescimento da economia dos Estados Unidos e reduzir a produtividade dos trabalhadores norte-americanos.
"Estou preocupado com o evidente enfraquecimento recente do apoio ao livre comércio neste país. Se congelarmos o progresso da produtividade, certamente desaceleraremos o crescimento e causaremos um dano considerável para os trabalhadores que, de outra forma, procurariam oportunidades de trabalho mais eficazes no longo prazo", declarou Greenspan durante conferência no Ambassadors Forum em Dallas (Texas).
Em sua palestra, o presidente do Fed não falou em política monetária, nem entrou em detalhes sobre a política econômica dos EUA. Para Greenspan, o maior fluxo internacional de mercadorias melhorou os padrões de vida em todo o mundo e não poderia ser revertido.
"A propensão protecionista a conter o fluxo competitivo de capital e o movimento de tecnologias fracassadas para outras mais produtivas é burra e autodestrutiva. A história nos mostra que tentar conter inovações é não apenas burrice, mas também impossível no longo prazo", acrescentou.
Greenspan também declarou que abrir processos antidumping e impor tarifas compensatórias, medidas rotuladas como defesa do comércio justo, frequentemente têm efeito oposto ao desejado. "Elas são apenas disfarces para a inibição da concorrência", afirmou.
Essa declaração foi uma crítica velada à prática do próprio governo dos EUA. Recentemente, o Departamento do Comércio acusou Brasil, Japão e Rússia de praticar dumping no comércio de aço, atendendo a reclamações das siderúrgicas norte-americanas.
Greenspan advertiu contra vincular política comercial à criação de empregos. "Tentamos promover o comércio livre com base na premissa errada de que isso vai criar empregos. A razão deveria ser que isso eleva o padrão de vida, como efeito da concorrência sobre a produtividade", afirmou.

mockup