Greenspan diz que ações devem ser acompanhadas de perto
Jackson Hole, EUA, 27 (Ae-DOW JONES) - O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, disse hoje (27) que as autoridades monetárias devem acompanhar de perto os preços das ações e de outros ativos negociados no mercado financeiro para poder fixar as taxas de juros. "Já não podemos nos dar ao luxo de olhar principalmente para o fluxo de bens e serviços, ao avaliar o ambiente macroeconômico no qual a política monetária deve atuar", afirmou.
Em uma palestra feita durante a reunião dos presidentes dos bancos centrais de todo o mundo, em um remoto hotel nas Montanhas Rochosas, em Michigan, Greenspan disse que as autoridades monetárias devem compreender o efeito riqueza, provocado pela alta nos preços das ações e dos imóveis, sobre as despesas das famílias e empresas. Ele explicou que esse tem sido um dos principais motores do ciclo de expansão da economia norte-americana na década de 90, mas alertou que esse modelo pode estar se exaurindo.
"É, portanto, nossa tarefa, melhorar a compreensão do processo pelo qual as projeções dos ganhos futuros se convertem em valor de mercado", disse. Greenspan sugeriu ainda que os formuladores de política monetária aprendam a antecipar as situações de pânico, que podem derrubar os preços a níveis inesperados, pois esses movimentos "têm implicações importantes no gerenciamento do risco e, consequentemente, no modelo econômico e na política monetária".
Um caso exemplar de pâncio foi, segundo ele, verificado há um ano, depois que a Rússia decretou moratória, levando os investidores a preferir apenas os ativos que tinham elevada liquidez. Para conter esse movimento, o Fed reduziu as taxas de juros três vezes seguidas entre o fim de setembro e o fim de novembro de 1998.
Durante o encontro, o presidente do Fed também retomou o tema das ondas de otimismo e de pessimismo que têm frequentemente afetado as bolsas e observou que diversos fatores, hoje, tornaram mais difícil para o investidor estabelecer o valor exato de uma ação. "A rápida mudança na composição do Produto Interno Bruto (PIB) favorecendo a tecnologia fundamentada em idéias, como computadores e software, por exemplo", é um dos complicadores.
Além disso, observou, os métodos de contabilidade das próprias empresas podem dificultar a avaliação, pelo investidor, do preço justo de uma ação. Greenspan lembrou que um estudo recente do Fed revelou que a subavaliação dos custos das opções conversíveis em ações concedidas a empregados de uma determinada empresa elevou artificialmente a previsão de lucros em 2% num período de cinco anos, distorcendo os resultados.
O presidente do Fed também admitiu as dificuldades que as autoridades encontram para avaliar a possível reação dos investidores aos fatos previsíveis ou imprevisíveis. Apesar dos modelos econômicos sofisticados que os formuladores de política e analistas têm à disposição, ainda é virtualmente impossível prever quando um mercado financeiro está supervalorizado e prestes a desabar. "Para antecipar uma bolha que está prestes a explodir é preciso adivinhar o que pensam milhões de investidores, muitas vezes muito experientes, a respeito de um grande número de ativos diferentes", concluiu.





