Greenspan deixa claro que juros podem subir
Washington, 22 (AE-DOW JONES) - Após deixar o mercado financeiro na expectativa por alguns dias, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Alan Greenspan, tornou bastante clara a sua posição: a menos que o mercado de trabalho apresente sinais de desaquecimento e as indústrias mantenham seu ritmo de atividade, o Fed aumentará as taxas de juro para combater a possibilidade de preços altos com "firmeza e rapidez".
O Fed continuará alerta a qualquer sinal de inflação e não hesitará em elevar os juros se a situação assim exigir. Foi essa a mensagem que Greenspan passou hoje ao Congresso norte-americano em seu pronunciamento semestral.
As autoridades do Fed, responsáveis pela política monetária, acreditam que a elevação dos Fed funds - juros primários no mercado interbancário - no dia 30 de junho, que passaram de 4 75% para 5% ao ano, não foi suficiente para equilibrar os riscos de inflação.
A velocidade de criação de empregos nos Estados Unidos também permanece no rol de preocupações do Fed. O avanço nas contratações superou o ritmo de crescimento da população economicamente ativa dos EUA em quase meio ponto porcentual no ano passado. Segundo Greenspan, isso significa que o Produto Interno Bruto (PIB) real está crescendo mais que seu potencial.
A previsão oficial do Fed é de que o PIB cresça a uma taxa entre 3,5% e 3,75%, medida do quarto trimestre de um ano para o quarto trimestre do próximo. Essa expectativa é inferior à previsão de 1998, de 4,3%, e próxima à de 1997, de 3,8%.
Se o desemprego ficar abaixo dos índices dos últimos meses, que está entre 4,2% e 4,3%, os níveis mais baixos desde a 2ª Guerra Mundial, "será um indicador de que os riscos de inflação estão maiores", disse Greenspan. "Se o número de desempregados cai, as pressões de alta sobre os preços são inevitáveis", afirmou.
O presidente do Fed disse em seu depoimento que "se essas pressões já provocaram inflação no passado, certamente devem voltar a provocá-la no futuro, ameaçando o crescimento econômico." No entanto, o aumento da produtividade da economia norte-americana, cada vez mais evidente, está conseguindo segurar as presssões inflacionárias.
Produtividade - Depois de cair 1% nos anos 70 e 80, o crescimento da produtividade já atingiu 2% nos últimos três anos. "Nos últimos quatro trimestres, ela cresceu 2,8% e pode chegar aos 3,5% se o crescimento do segundo trimestre chegar perto dos 4%", disse Greenspan.
As autoridades do Fed estavam contando com uma desaceleração da economia para manter o nível de inflação estável e sustentar a produção. Mas isso não ocorreu. O crescimento no primeiro trimestre foi de 4,3% anualizados. Segundo analistas, o segundo trimestre não deve apresentar redução nesse ritmo.
Esse desenvolvimento, segundo o presidente do Fed, fez com que a produção crescesse muito além do esperado, o que fica bastante perceptível nos setores de tecnologia, siderúrgico e têxtil.
As empresas beneficiaram-se da revolução do computador para economizar dinheiro numa época em que é difícil aumentar preços.
Ele avisou, no entanto, que "a história nos aconselha a sermos modestos na habilidade de projetar o futuro da produtividade". Para Greenspan, a produtividade deve continuar crescendo num ritmo ainda maior para afastar a inflação.
O fim do desaquecimento das economias globais também aumenta os riscos inflacionários. "Melhores perspectivas globais significam que os Estados Unidos não terão mais commodities e produtos importados baratos, que ajudaram a segurar a inflação nos últimos anos." O preço do petróleo bruto - usado para fazer desde gasolina a sacolas plásticas - já subiu 57% neste ano.
O aumento da produtividade não significa, necessariamente, que as ações estão sobrevalorizadas. Significam sim custos menores e aumento dos lucros. "O perigo é que nessas circunstâncias, a extensão eufórica desse desenvolvimento pode levar os preços das ações a um nível insustentável", afirmou. Os problemas para a economia podem surgir quando esse ajuste inevitável ocorrer."
Greenspan voltou a advertir sobre a excessiva valorização dos preços dos ativos financeiros e chegou a incluir a alta eufórica nas ações norte-americanas como uma das causas para o aumento do consumo. "Devemos prevenir sempre que possível", disse Greenspan, repetindo o discurso que fez ao comitê econômico do Congresso duas semanas antes de elevar os juros em 30 de junho.





