Greenspan alerta mais uma vez sobre riscos do efeito riqueza
Washington, 23 (AE-DOW JONES) - O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, Alan Greenspan, foi novamente enfático hoje (23) em seu alerta sobre os riscos do que define como "o efeito riqueza" sobre a economia norte-americana. Em seu depoimento perante a Comitê Bancário do Senado, ele disse que o nível de atividade continua muito alto nos Estados Unidos e a inflação, sob controle, mas reiterou que o mercado de trabalho estreito e a manutenção dos altos níveis de gastos dos consumidores "oferecem pressões potencialmente muito importantes, que não podem ser ignoradas".
O formulador da política monetária norte-americana observou: "Se o Fed não der atenção a esses problemas, é possível que o barco que navega em direção ao porto termine chocando-se de frente com o cais, em vez de aproximar-se suavemente como estava previsto." Greenspan deixou claro que teme um efeito em cadeia, com o círculo virtuoso saindo fora do controle, pois a forte demanda interna eleva os preços das ações em Bolsa e, em seguida
os ganhos verificados em Wall Street proporcionam um efeito riquize que provoca o aumento da demanda.
"O perigo é que o crescimento no mercado acionário em decorrência do efeito riqueza não pode durar indefinidamente dada a limitada oferta de mão-de-obra no país e a pouca disposição dos estrangeiros em adquirir ativos norte-americanos", avaliou. "Isso não é teoria, mas uma análise do que está de fato ocorrendo."
O recado não surpreendeu Wall Street, onde o Índice Dow Jones manteve a trajetória de alta muito moderada iniciada pela manhã, pois foi interpretado pelos analistas de mercado como um sinal de que a esta rodada de aumento de juros ainda ainda não está terminada, como já era esperado. Na avaliação dos economistas do setor privado, o presidente do Fed deixou claro que uma nova alta de 0,25 ponto porcentual nos juros poderá ser decidida já na reunião do dia 21 de março. Eles também não descartam a hipótese de uma terceira puxada no custo do dinheiro mais adiante, ainda neste semestre.
Greenspan também foi enfático ao apontar como arriscada a proposta dos políticos, que pretendiam aprovar novas reduções de tributos e novos gastos, a serem custeados com os recursos classificados como superávit orçamentário. Segundo o presidente do Fed, os exclentes saldos orçamentários realizados recentemente ainda são fenômenos pouco compreendidos e, por isso
seria difícil dizer se vão persistir no futuro.
Por esse motivo, ele pediu prudência e sugeriu que os saldos do orçamento sejam usado para o cancelamento de dívida até que a situação esteja mais clara. Do contrário, indicou, os EUA não estarão livres dos riscos de descarrilamento da rota positiva de sua economia.





