Greenspan acena com aumento de juros Do correspondente PAULO SOTERO
Washington, 28 (AE) - O presidente do Federal Reserve Board, Alan Greenspan, indicou hoje (28) que o banco central dos Estados Unidos poderá aumentar novamente a taxa de juros este ano, diante do menor indício de pressão inflacionária na economia. Republicano de carteirinha, Greenspan interveio diretamente no grande debate sobre política tributária em curso em Washington e aconselhou a maioria conservadora que controla o Congresso a adiar propostas de devolução aos contribuintes de uma parte do saldo estimado de mais de US$ 3 trilhões no orçamento federal, nos próximo dez anos, sob a forma de um corte na alíquota do imposto de renda. Ele ponderou que o projeto de redução dos tributos baseia-se em projeções econômicas de longo prazo, que por sua própria natureza não são confiáveis, e não em dinheiro em caixa.
Greenspan reiterou as advertências que vêm fazendo em todas suas declarações públicas recentes contra o excesso de confiança numa economia que atravessa o seu mais longo período de prosperidade em tempos de paz e o segundo mais longo da história do país. O presidente do Fed classificou 1999 como "um ano excepcional , até agora, para a economia americana", com 1,25 milhão de novos postos de trabalho criados, a continuação da menor taxa de desemprego em três décadas e nenhum sinal visível de inflação. Mas disse que o país não deve adotar como premissa que a atual expansão continuará indefinidamente. IMPOSTOS - O depoimento do presidente do Fed coincidiu com o início do debate no Senado de um projeto de lei que, em tese, promete o maior corte de impostos desde a redução de 10%, com indexação das alíquotas, que o presidente Ronald Reagan fez no início de seu governo, em 1981. "Quase todos os americanos serão beneficiados", afirmou o senador William Roth, republicano de Delaware e um dos patrocionadores da proposta de devolução aos contribuintes de US$ 792 bilhões, ou um PIB brasileiro, nos próximos dez anos. O secretário do Tesouro, Larry Summers, avisou no domingo que Clinton vetará uma redução de impostos dessa magnitude, se ela passar no Congresso. Embora admita que parte do saldo orçamentário projetado seja devolvido aos contribuintes, o presidente sustenta que o dinheiro deve ser usado para fortalecer o sistema previdenciário e o segundo médico federal e pagar os quase US$ 3 trilhões em dívida que o EUA tem com o público. Um grupo de senadores republicanos e democratas ontem apresentou uma proposta menos ambiciosa de renúncia fiscal, mais próxima da posição de Clinton, que pode abrir caminho para uma solução de compromisso.
Sem mencionar a posição do presidente, Greenspan respaldou ontem sua atitude cautelosa no debate da reforma tributária americana. "Nós provavelmente ficaríamos em melhor posição se adiássemos um corte de impostos", disse o presidente do Fed. "Minha primeira opção é reduzir a dívida pública. Minha segunda opção é cortar os impostos porque não somos capazes de não gastar o saldo do orçamento". Mas Greenspan alertou que o corte de impostos que os políticos estão ansiosos em fazer é um exercício temerário pois se baseia em projeções de saldos no orçamento federal nos próximos dez anos que podem ou não ocorrer
dependendo do desempenho real da economia. "Se olharmos dez anos para trás, a história sugere que a probabilidade de a economia seguir exatamente o rumo projetado é muito pequena", disse Greenspan.





