Greenpeace vai destinar US$ 2,5 milhões para campanhas
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 31 (AE) - O Greenpeace vai destinar US$ 2,5 milhões de seu orçamento mundial para a Amazônia. Os recursos serão para campanhas de conscientização e identificação de atividades que possam absorver a mão-de-obra das madeireiras. "O setor madeireiro age como gafanhoto: explora até a exaustão uma região e migra para outra; emprego permanente não existe", afirmou o diretor executivo no Brasil, Roberto Kishinami. "O trabalho é temporário, de baixa qualidade e com altos índices de acidente"
disse o coordenador da campanha, Ruy de Góes.
De acordo com levantamento da organização não governamental, 80% de toda a madeira extraída da Floresta Amazônica é ilegal; dois terços são desperdiçados, transformado em serragem; a exploração legal da floresta representa menos de 1% de tudo o que é extraído e 90% da madeira é consumida no eixo Rio-São Paulo. Esses dados fazem parte do dossiê "Face a Face com a destruição: Relatório Greenpeace sobre a indústria multinacional madeireira na amazônia brasileira", divulgado hoje pelo grupo ecológico, que detalha a atividade na região de 17 Companhias Multinacionais Madeireiras (CMMs).
Entre as oportunidades identificadas pelo Greenpeace como alternativa estão a extração do látex, palmito, frutas e castanha, e o ecoturismo. "A atividade madeireira lucra de US$ 100 a US$ 150 ao ano por hectare explorado, esse valor é dez vezes maior com o ecoturismo", garantiu Kishinami.
Programa permanente - Há dez anos o G-7, grupo dos sete países mais ricos, criou o Plano Piloto para a Amazônia, que destinava US$ 340 milhões para projetos sociais na região, administrados pelo Banco Mundial. "É um escândalo que só US$ 70 milhões tenham sido investido em todo esse tempo", afirmou o diretor do Greenpeace Internacional, Thilo Bode, segundo o qual houve desencontro nos critérios para escolha dos programas. "Não queremos mais programas pilotos, mas um programa permanente do qual o governo deve ser protagonista", disse Kishinami. O Greenpeace promete ações na região para impedir o tráfego de madeira ilegal e parar a extração irregular.


