Ativistas do Greenpeace jogaram ontem sete metros cúbicos de serragem na frente do prédio da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), em Brasília. A ação faz parte de uma campanha nacional contra a aprovação do relatório do deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) que propõe mudanças no Código Florestal. Caso seja aprovado, o texto de Micheletto permitirá ampliar muito o desmatamento das áreas de floresta natural das propriedades de todo o País.
A manifestação foi na frente da CNA porque, segundo os ativistas, a proposta de Micheletto atende apenas ao interesse dos grandes proprietários rurais. De acordo com Flávio Montiel, assessor político do Greenpeace, o projeto de Micheletto vai permitir a ampliação do desmatamento na Amazônia e a destruição do restante da Mata Atlântica, com a expansão da pecuária extensiva e a abertura de novas áreas para o plantio de soja e algodão. Segundo Montiel, a campanha SOS Floresta lançada na última quarta-feira por dez entidades ambientalistas pretende ‘‘evitar que a CNA transforme a floresta em pó’’.
Os ativistas do Greenpeace tentaram entregar uma carta ao presidente da CNA, Antônio Ernesto Werna de Salvo, cobrando uma posição da entidade em relação às propostas de alteração do Código Florestal feitas por Micheletto, mas não foram recebidos. Na carta, o Greenpeace pede que a CNA interfira junto à bancada ruralista no Congresso para garantir a conversão integral da Medida Provisória 2.080/62 em lei.
Segundo Montiel, a legislação ambiental vigente é ‘‘consistente e justa’’, mas falta ser cumprida pelo governo e pela sociedade. Ele lembra que o texto em vigor, que foi discutido amplamente pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) antes de ser transformado em MP, representa a vontade da sociedade brasileira pelo fato de compatibilizar o modelo de desenvolvimento agropecuário do País com a conservação dos recursos naturais.
Para os ativistas do Grenpeace, não se justifica modificar a legislação ambiental. ‘‘O texto em vigor é o mínimo aceitável pelos ambientalistas,’’ diz Montiel. De acordo com ele, das três propostas de alteração do Código Florestal já apresentadas por Micheletto a versão atual é a pior de todas. O texto em vigor estabelece que os proprietários rurais são obrigados a preservar 80% da área de suas fazendas na região amazônica, 35% na área de cerrado e 20% no restante do País. A proposta de Micheletto fixa em apenas 20% a reserva legal obrigatória caso os Estados não façam o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) até três anos após a aprovação da lei.

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