Rio de Janeiro - O Greenpeace realizou ontem uma manifestação em frente à sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no centro do Rio, contra a emissão da licença prévia ambiental para a instalação de Angra 3, no litoral sul do estado.
Dois ativistas vestiram macacões brancos, representando roupas de segurança nuclear, e ficaram ao lado de latões amarelos, uma alusão ao lixo nuclear. Os manifestantes penduraram na porta do prédio do Ibama uma foto do presidente do órgão, Roberto Messias, com a declaração: ''O Messias chegou e traz más notícias.''
Segundo a ONG, mesmo com as 60 condicionantes impostas pela licença prévia, os riscos e os custos da produção de energia nuclear no país não compensam. Para o Greenpeace, o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental feito pelo Ibama apresenta falhas graves. As principais, diz o coordenador da campanha de energias renováveis da ONG, Ricardo Baitelo, seriam a falta de esclarecimento sobre o local de armazenamento dos resíduos produzidos por Angra 3 e como a população seria retirada do local em caso de acidente.
O lixo radioativo produzido pelas usinas Angra 1 e 2 vem sendo estocado dentro das próprias usinas. Segundo o Greenpeace, com os recursos previstos para Angra 3, cerca de R$ 8 bilhões, seria possível instalar um parque de turbinas eólicas com o dobro de potência em um terço do tempo e gerando 32 vezes mais empregos.

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