Manaus, 22 (AE) - A organização ambientalista internacional Greenpeace propôs hoje ao governo do Amazonas estimular o setor madeireiro a buscar a certificação através do Forest Stewardship Council (FSC), o chamado selo verde - que garante ser o produto florestal extraído de fonte sustentada. A proposta ocorreu durante um encontro, no navio Amazon Guardian, entre o diretor-Executivo do Greenpeace no Brasil, Roberto Kishinami, o coordenador da Campanha Amazônia, Paulo Adário, o secretário de Educação do Amazonas, Vicente Nogueira e o presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Estevão de Paula Queiroz.
A certificação das indústrias é uma das metas da Campanha Amazônia do Greenpeace, que fará nos próximos 4 meses ações no Amazonas e Pará. O navio Amazon Guardian está ancorado no Porto de Manaus, de onde sai na próxima semana para sua primeira ação de combate a extração ilegal de madeira na região do Purus (oeste de Manaus). "O Estado do Amazonas tem todas condições para adotar a certificação independente FSC como padrão", disse Kishinami, explicando que uma das vantagens da certificação é que hoje os consumidores no exterior estão preferindo o selo verde, símbolo de rigor e transparência da exploração de madeira nas florestas tropicais.
Em 1991 os países produtores de madeira tropical assumiram um compromisso de que a partir do ano 2000 não haveria no mercado internacional madeira ilegal. O compromisso foi ratificado na Eco 92. "Até hoje não existe madeira vinda de fonte sustentada no mercado internacional, proveniente da Amazônia, e de uma grande parte de países", afirmou Paulo Adário.
A certificação é uma decisão voluntária das empresas, não exige uma legislação que determine uma norma nesse nível nas indústrias madeireiras. O presidente do Ipaam, Estevão de Paula Queiroz, disse que governo estudará a proposta, mas destacou que já são determinadas por legislação estadual a compra de áreas para suprimento, licenças ambiental e operacional. "O governo não pode exigir a certificação por ela ser uma decisão voluntária das indústrias e o que inclusive dá mais credibilidade à elas, mas podemos estudar, com as organizações não governamentais e institutições, um mecanismo de estimular essa certificação", adiantou Queiroz.
Das oito indústrias instaladas no Estado, apenas a MIL Madeireira, de capital suíço, é inteiramente certificada com o FSC, utilizando matéria-prima de suas próprias áreas, situadas no município de Itacoatiara. A empresa Gethal S/A está em processo de certificação com parte da produção de laminados e compensados de madeiras provenientes da MIL. Madeireiras de capital asiáticos e que detêm grandes reservas florestais, como Amaplac (do grupo malaio WTK), Carolina (grupo Rimbunan Hijau/Jaya Tiasa) e CIFEC, de capital chinês, sequer têm Plano de Manejo Florestal (PMF) aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
No ano passado a safra de madeira do Amazonas foi de cerca de 300 mil metros cúbicos. O Greenpeace identificou que desde total, 67 mil metros cúbicos foram comprados em toras e sem documentação legal, gerando multas na ordem de R$ 88 mil para seis empresas.

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