Brasília, 11 (AE) - A organização ambientalista não governamental Greenpeace está criando uma rede de informações no interior da Amazônia para, nas próximas semanas, dar início ao que chama de "ações políticas" de denúncia de exploração ilegal de madeira. A ong também vai orientar os índios que tiveram suas áreas invadidas por madeireiras a fazer a "autodemarcação" de suas terras.
O Greenpeace internacional conseguiu autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) para fazer uma reunião dentro da aldeia indígena de etnia Deni, no Rio Cuniuá, para "apresentar e discutir uma proposta para a demarcação de suas terras", segundo documento encaminhado à Funai.O barco do Greenpeace, o MV/Amazon Guardian, está percorrendo rios da Amazônia. Nas próximas semanas, a partir dos dados colhidos e da rede de informações que está sendo montada, a organização inicia suas ações políticas.
O Greenpeace já catalogou 18 grandes empresas internacionais que estariam explorando madeira na Amazônia. Algumas denúncias serão encaminhadas diretamente à Polícia Federal e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo o Greenpeace, deverão ser feitas "ações políticas" em áreas de exploração.
Demarcação - A proposta de autodemarcação será discutida na próxima semana na aldeia de etnia Deni, no Rio Cuniuá, na localidade conhecida como Aldeia Cidadezinha. Além do Greenpeace
devem participar da reunião representantes de outras três organizações-não-governamentais (ONGs) e técnicos da Funai.
A assessoria de imprensa da Funai informou hoje que o órgão autorizou a presença do Greenpeace na aldeia Deni. Segundo levantamento do Greenpeace, 50% de todas as terras adquiridas por um madeireira asiática na Amazônia estão dentro da aldeia Deni.
Segundo Flávio Montiel, um dos representantes do Greenpeace no Brasil, há vários estrangeiros no MV/Amazon Guardian, todos ativistas políticos dos Estados Unidos, áustria, Inglaterra, Alemanha, Espanha e Argentina, com participação em protestos pelo mundo.O Greenpeace pretende ampliar na Amazônia, entre as populações indígenas e ribeirinhas, um projeto de fabricação e comercialização de "mantas" de borracha. Segundo Montiel, uma empresa de computadores norte-americana está comprando grande parte da produção para fabricar material de informática.

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