Curitiba - O Greenpeace pediu ontem ao governo brasileiro que determine uma investigação nos portos usados para a exportação de mogno no País. O objetivo é impedir o contrabando da madeira, que está em extinção. O pedido é baseado em documentação obtida pelo Greenpeace que comprova a exportação de mogno como sendo cedro para Espanha, burlando a fiscalização. Entre os portos que devem ser investigados estão o de Paranaguá, no litoral do Estado; e o de São Francisco do Sul, em Santa Catarina.
A documentação foi enviada ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à Receita Federal, à Polícia Federal, ao Ministério do Meio Ambiente, e ao Ministério Público Federal. O Greenpeace entregou também carta ao Ibama solicitando a inspeção de toda a madeira semelhante ao mogno em portos que exportam a espécie. ‘‘Hoje, a fiscalização é feita por amostragem, favorecendo a exportação ilegal’’, explicou o coordenador internacional da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário.
Por isso, o Greenpeace solicita a contratação de um especialista nos portos para verificar tanto a procedência da madeira, como a sua espécie. ‘‘Os portos não possuem uma profissional capaz de diferenciar o mogno de outras madeiras similares’’, revela Adário.
A estimativa do Greenpeace é que o Ibama publique a determinação nos próximos dias. Os documentos enviados foram obtidos pelo órgão ambiental na Espanha, e consistem em cópias de carta e duas faturas clonadas emitidas pela empresa exportadora de madeiras Adair Comercial Ltda, do Pará, referentes a um carregamento de mogno exportado como sendo cedro para a empresa Comadex S.A, de Toledo, Espanha.
Segundo Adário, além de fraudes na exportação e evasão de divisas, o documento desrespeita a Portaria de 1996 que criou quotas para exportação do mogno. ‘‘Os documentos comprovam que existem sérios problemas na fiscalização da exportação de madeira nos portos brasileiros’’, enfatiza. Na Espanha, a Procuradoria de Meio Ambiente ordenou a abertura de inquérito sobre importação irregular de mogno brasileiro depois de receber denúncia do Greenpeace Espanha sobre o envolvimento de empresas importadoras daquele país no contrabando de mogno.

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