Greenpeace negocia devolução de milho importado dos EUA; produto pode ser transgênico
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Liana John 
Campinas, SP, 10 (AE) - Uma carga de 27,5 mil toneladas de milho norte-americano será reexportada para os Estados Unidos pela Perdigão Agroindustrial, após a denúncia da organização ambientalista Greenpeace, de que o produto poderia ser transgênico. O milho veio para o Brasil no navio Bulk Star, sem certificação de carga isenta de transgênicos e deveria ser desembarcado nesta hoje em São Francisco do Sul, Santa Catarina. Alertada pelo Greenpeace, a diretoria da Perdigão resolveu cancelar a compra e alterar a rota do navio, para que ele retorne ao porto de origem.
Os Estados Unidos produzem milho não transgênico certificado, mas quase tudo é exportado para a Europa, onde a rejeição dos consumidores aos organismos geneticamente modificados é muito grande. "Como um terço da produção total de milho norte-americano é de transgênicos e o país tem uma linha de crédito, que incentiva a exportação de milho para o Brasil, a probabilidade desta carga conter grãos transgênicos é grande", afirma Mariana Paoli, do Greenpeace. Safra - A importação de milho, conforme a Perdigão, abasteceria as fábricas de ração de aves e suínos, em função da redução na oferta de milho brasileiro, muito prejudicado pelas más condições climáticas nesta safra. A obrigação de apresentar certificação de produto sem qualquer alteração genética era do fornecedor, por isso a empresa decidiu devolver a carga, sem desembarcá-la.
"Acreditamos que outras cargas de milho transgênico podem chegar ao país, pois a quebra da safra brasileira é da ordem de 1,5 milhão de toneladas e os dois maiores exportadores são Estados Unidos e Argentina, onde os transgênicos são largamente utilizados", acrescenta Mariana Paoli. O Greenpeace encaminhou uma representação ao Ministério Público de Santa Catarina e alertou as autoridades portuárias e o Ministério da Agricultura.
A entidade lembra, também, que em 1997 obteve uma liminar na Justiça - ainda em vigor - impedindo a entrada de transgênicos no Brasil, sem a devida rotulagem. A liminar foi obtida após a denúncia de que atracaria - no mesmo porto catarinense - o navio Sanko Robust, com uma carga de soja transgênica importada pela Associação Brasileira de àleos Vegetais, Abiove.
"Os consumidores devem ter a informação sobre o que estão consumindo", diz Mariana Paoli. "Importar qualquer tipo de produto transgênico sem a devida certificação representa um grande risco, uma vez que ainda não há estudos suficientes que comprovem a segurança alimentar e ambiental dos organismos geneticamente modificados".
O direito à informação foi internacionalmente reconhecido no âmbito do Protocolo de Biossegurança, assinado em Montreal, no fim de janeiro. No acordo, está prevista a identificação de qualquer carga transgênica negociada no mercado internacional.


