Rio, 26 (AE) - A história da caça às baleias na década de 60 no litoral de Arraial do Cabo, na região dos Lagos fluminense, e as ameaças a que a espécie está submetida estão documentadas no vídeo "Baleias precisam de proteção", lançado hoje pelo Greenpeace, organização não-governamental (ONG) em defesa do meio ambiente. O vídeo faz parte da campanha em apoio à criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, proposto pelo governo brasileiro à Comissão Baleeira Internacional (CBI).
O Greenpeace já recolheu 300 mil assinaturas de apoio ao projeto brasileiro; o objetivo é atingir um milhão até o próximo ano, quando serão entregues aos delegados governamentais que se reunirão na próxima convenção do CBI, em Adelaide, na Austrália, em julho de 2000. "A criação desse santuário é muito importante para a preservação da espécie que está em extinção, cuja caça ainda é praticada por países como Japão e Noruega", disse a bióloga Cristina Bonfiglioli, da Campanha de Ecologia Oceânica do Greenpeace. Existem dois santuários criados pelo CBI: um no mar Antártico, em 1944, e outro no Oceano Índico, em 1970.
O vídeo apresenta ainda uma série de depoimentos inéditos de moradores e pescadores de Arraial do Cabo sobre a caça industrial de baleias por japonenses durante os anos 60 naquela região litorânea. Rgistra, também, uma pesquisa feita por biólogos do Greenpeace e pesquisadores do Centro de Estudos e de Projetos Ambientais (Centrab) no Pontal do Atalaia, também em Arraial do Cabo, onde foram avistadas havia três meses cerca de 20 baleias da espécie Jubarte - conhecidas como baleias corcundas, que pesam de 25 a 30 toneladas e medem entre 13 a 14 metros.
"As baleias que passam por Arraial do Cabo em sua rota para Abrolhos, no litoral da Bahia, são brasileiras, pois elas vêm a partir de maio até o nosso litoral para procriar, aproveitando as águas quentes", explica Cristina. Segundo ela, os mamíferos retornam para a Antártica em meados de novembro com os filhos.

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