São Paulo, 15 (AE)- Um grupo de aproximadamente 20 ativistas da organização ambiental Greenpeace ocupou, na manhã de hoje (15), a rua do Gasômetro, em São Paulo, para promover uma campanha contra a comércio ilegal de madeira da Amazônia. Os ambientalistas instalaram placas nos postes de luz e distribuíram folhetos entre os comerciantes da região, conhecida como um dos principais centros de distribuição do País.
Segundo Ruy de Goes, coordenador da campanha, 80% da madeira proveniente da Amazônia é retirada ilegalmente. "Só o Estado de São Paulo é responsável pelo consumo de 20% do que é produzido, o dobro da França, maior consumidor da Europa", disse Goes. Ele afirmou que 86% da produção de madeira amazônica é dirigida ao mercado interno - apenas 14% vai para o exterior -
sendo que a maior parte é destinada às regiões Sul (22%) e Sudeste (44%).
O objetivo do Greenpeace é chamar o setor para discutir o problema. A organização enviará ainda hoje um documento a associações e sindicatos convocando uma reunião, na qual apresentará suas sugestões. Goes explicou que é muito difícil identificar a madeira ilegal no Brasil, devido à falta de regulamentação. Ele também apontou a falta de estrutura, de recursos e a corrupção no Ibama, órgão governamental, como uma das dificuldades.
A proposta do Greenpeace é de que o setor comece a trabalhar com uma certificação florestal, já muito difundida no mercado internacional, fornecida pelo Forest Sterwardship Council (FSC), uma organização internacional que reúne empresários, ONGs de defesa ambiental, sindicatos e associações de trabalhadores. "Apenas uma empresa brasileira é certificada, entre as milhares existentes", disse o coordenador da campanha. Segundo Goes, a responsabilidade do consumidor final também é fundamental, que deve sempre procurar saber a procedência da madeira antes da compra.

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