Greenpeace invade navio de soja em SC
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de dezembro de 1997
Agência Estado São Francisco do Sul 
Uma equipe internacional de ativistas da entidade ambientalista Greenpeace bloqueou ontem o desembarque, no Porto de São Francisco do Sul (SC) de um carregamento de soja geneticamente modificada, vinda dos Estados Unidos. Por volta das 16 horas, os ativistas da Patrulha de Tóxicos Genéticos, grupo criado pelo Greenpeace para lutar em escala mundial contra alimentos geneticamente modificados, cercaram com seus botes infláveis o navio Sanko Robust, carregado com 34 mil toneladas de soja norte-americana.
Os manifestantes invadiram o barco e colocaram uma faixa, em português e inglês, que dizia: Frankensoja: Não Engula Essa! e Yanke soya go home!. Os ambientalistas declararam que não têm pressa: estão preparados para ficar vários dias no barco e no Porto. Mais de 20 ativistas e cinco barcos foram mobilizados para a operação.
A importação de soja geneticamente modificada, apelidada de Frankensoja pelos ambientalistas, foi autorizada no recente mês de setembro pela CTN-Bio (órgão brasileiro que regula o assunto). A pedido da Associação Brasileira de Produtores de Óleos Vegetais, sem qualquer informação ou consulta à opinião pública. Essa foi a primeira vez que o Brasil autoriza a entrada de soja transgênica no País.
AlertaCom a ação da Patrulha, o Greenpeace quer alertar a opinião pública para a contaminação de produtos alimentícios com engenharia genética. De 15% a 20% da atual produção norte-americana de soja já é Frankensoja. Derivados de soja entram na produção de centenas de alimentos - tais como óleos, margarina, biscoitos, sorvetes, pães, chocolates, sucos e ração animal.
Os brasileiros sequer têm idéia dos riscos dessas plantas geneticamente modificadas para o meio ambiente e para a saúde e, provavelmente, já estarão comendo produtos transgênicos no próximo natal, disse Marijane Lisboa, do Greenpeace. Segundo os ambientalistas, esses experimentos genéticos não foram suficientemente testados e estudados e seu risco é desconhecido e inaceitável.


