Brasília, DF- Ambientalistas da organização não-governamental Greenpeace fizeram ontem uma vigília em frente ao Palácio do Planalto para exigir que o governo brasileiro encerre os projetos nucleares no país e invista em energias renováveis.
A manifestação ocorreu no dia em que o presidente Lula recebe o vice-chanceler da Alemanha, Joschka Fischer. No encontro, eles discutiram a substituição do acordo nuclear Brasil-Alemanha por um acordo com fontes renováveis.
''A idéia é marcar o fim do acordo Brasil-Alemanha nuclear e o início de uma cooperação na área de renováveis que é benéfico para os dois países. O Brasil vai estar vendendo álcool, biocombustíveis, biodiesel para a Europa e vai estar aprendendo como a Alemanha pode gerar boa parte da sua eletricidade a partir dos ventos e da energia solar'', afirma o coordenador da campanha de energia do Greenpeace, Sérgio Dialetachi.
Dialetachi afirma que números do governo federal indicam que o Brasil já gastou US$ 6 bilhões na contrução de Angra 1, US$ 14 bilhões em Angra 2 e mais US$ 1 bilhão com o projeto de Angra 3. Segundo ele, o país gasta mais de R$ 1 milhão por dia para pôr em funcionamento as usinas Angra 1 e 2, que ao final produzem apenas 2% de toda eletricidade gerada no Brasil.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Joschka Fischer, deixou claro ontem que seu país não pretende mais colaborar com o Brasil na área de energia nuclear. Os entendimentos entre os dois países foram fundamentais para a construção de Angra 1 e Angra 2.
''Nós queremos uma política de saída da energia nuclear e vamos introduzir isso nas relações internacionais'', disse Fischer, após se encontrar com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em Brasília.

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