Greenpeace expõe energias renováveis
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O uso de energias renováveis em substituição ao modelo energético brasileiro é tema de uma expedição nacional promovida pelo Greenpeace (organização independente que faz campanhas expondo problemas ambientais e buscando soluções para reduzir a poluição mundial) e que foi lançada oficialmente ontem no Paraná. A Expedição Energia Positiva para o Brasil irá percorrer 31 cidades em 80 dias. Serão 81 quilômetros que começou por São Paulo, passou ontem para Curitiba e segue hoje para Florianópolis.
A expedição utiliza uma carreta movida a óleo de soja. Num teste anterior, o caminhão rodou 1,5 mil quilômetros de Rio Negro (109 km a sudoeste de Curitiba) até São Paulo. Mesmo num percurso de 14 mil quilômetros de rodovias, os organizadores não acreditam em problemas. ''Os testes foram feitos. O óleo de cozinha vegetal pode ser muito bem usado em caminhões e ônibus. Basta que tenhamos vontade política e governamental para aplicarmos leis que garantam esse direito, incentive os produtores de soja, girassol e mamona e gere empregos'', afirmou Sérgio Dialetachi, organizador da caravana.
Durante o trajeto que está sendo percorrido, os 12 tripulantes da expedição fazem vários ensaios no caminhão. Um contêiner de 12 metros foi instalado dentro do caminhão com equipamentos movidos a energia solar. No final da expedição, os equipamentos serão doados para a Cooperativa Mista dos Produtores Extrativistas do Rio Iratapuru (420 km de Macapá, no Amapá) que não tem acesso a qualquer tipo de energia. Cerca de 300 mil pessoas deverão ter acesso à expedição. ''O nosso tour tem caráter pró-ativo, de caráter positivo. Estamos levando propostas que podem ser aplicadas pelo governo federal. Não estamos colocando em foco apenas os problemas que podem ser causados pela energia do petróleo, que é suja e perigosa para a saúde humana'', afirmou Cadu Cortez, porta-voz da caravana.
O público poderá aprender, em contato com a expedição, que o Brasil já utiliza algumas energias renováveis como o álcool para combustível, as pequenas centrais elétricas que produzem energia alternativa, óleos que são usados como geradores para comunidades da Amazônia, fazendas de energia através dos ventos (eólicas) no Ceará e no Rio Grande do Sul. Entretanto, segundo Dialetachi, faltam políticas públicas. ''Temos que ter igualdade de competição com as energias sujas'', informou o coordenador da campanha ao lembrar que a população paranaense paga 0,1% na tarifa de energia para subsidiar as usinas nucleares de Angra I e Angra II (RJ). ''Estamos falando de energia pura, segura e confiável. Temos que incentivar essa produção'', complementou ele.


