Greenpeace denuncia venda de cal contaminada com dioxina
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Liana John / AE 
Campinas, SP, 25 (AE) - A entidade ambientalista Greenpeace denunciou hoje a comercialização, no Brasil, de cal contaminada com dioxina, um dos piores poluentes orgânicos persistentes (POPs). O banimento dos POPs é objeto de uma convenção das Nações Unidas ainda em fase de negociação.
A investigação sobre a contaminação foi solicitada pela União Européia, após ter sido detectada a dioxina no leite produzido na Alemanha.Em março de 1998, os alemães concluíram que a dioxina vinha da ração animal, feita à base de polpa cítrica e importada do Brasil. Toda a importação da ração, chamada de CPP (Citric Pulp Pellets), está suspensa desde então.
Investigação - O Ministério da Agricultura e a Associação Brasileira dos Exportadores de Citros, Abecitrus, iniciaram, em seguida, uma investigação para determinar onde estava ocorrendo a contaminação. Contrataram para isso as empresas de consultoria especializadas Midwest Research Institut
MRI, dos Estados Unidos, e a ERGO Forachungsgeselischaft, da Alemanha. Em novembro do ano passado, a investigação concluiu que a contaminação na ração vinha da cal hidratada procedente de uma indústria petroquímica. E passou a exigir certificação deste insumo utilizado na composição da ração.
Segundo o Greenpeace, a indústria petroquímica responsável pela produção da cal com dioxina é a Solvay, multinacional de origem belga, com depósito em Santo André, no ABC paulista. O depósito da Solvay ainda tem estoques de 1 milhão de toneladas de cal contaminada, de acordo com os ambientalistas.
"Os resíduos tóxicos da Solvay chegaram ao mercado de cal pela Carbotex, Indústria e Comércio de Cal Ltda., uma empresa que comercializa lixo tóxico ", diz o relatório do Greenpeace. "A Carbotex está estabelecida no mesmo endereço da Solvay/Indupa em Santo André. A Solvay também forneceu cal contaminada para a empresa Minercal".
"É uma triste ironia que venenos persistentes gerados por uma multinacional de origem européia em território brasileiro acabem contaminando a comida dos europeus", diz Délcio Rodrigues, coordenador de campanhas do Greenpeace no Brasil. "A prática de comercializar lixo tóxico é irresponsável. No caso do Brasil, o mínimo que a população deve exigir é uma investigação detalhada sobre os caminhos que esta cal contaminada seguiu no País e a imediata descontaminação das fontes de dioxina na Solvay".
Os interessados em obter maiores detalhes e verificar os documentos obtidos pelo Greenpeace podem acessá-los na homepage da organização http://www.greenpeace.org/biblioteca/relatorios/relcpp.doc


