Porto Alegre, 17 (AE) - O Greenpeace denunciou uma "manobra parlamentar" para aprovar o plantio de transgênicos no Rio Grande do Sul. Com maioria na Assembléia Legislativa/RS, a oposição tenta votar ainda hoje um substitutivo que permite a semeadura de organismos geneticamente alterados no Estado. O plantio de transgênicos está proibido em todo o País por sentença da Justiça Federal. O deputado Onix Lorenzoni, do PFL, confirmou a união de cinco projetos de lei, todos da oposição ao governo Olívio Dutra (PT), em um substitutivo que, entre outras coisas, permite o plantio opcional de transgênicos.
"Se aprovarem o substitutivo será algo inócuo porque existe uma decisão de mérito, válida para todo o País, impedindo este plantio", disse Marijane Lisboa, da Campanha de Engenharia Genética da organização ambientalista Greenpeace. Nota do Greenpeace interpreta a intenção de aprovar o substitutivo em regime de urgência como uma tentativa de impedir que a sociedade participe do debate sobre o assunto "de forma responsável e democrática".
O Executivo gaúcho quer declarar o Estado "área livre de transgênicos". Na sua avaliação, isto poderia garantir maior segurança alimentar e ecológica, além de negócios com países importadores de alimentos não-transgênicos.
Para Lorenzoni, o importante é assegurar a "liberdade de escolha" ao produtor. Entendendo que há "uma guerra santa" no Estado na questão da transgenia, o deputado do PFL acha que a existência de uma decisão da Justiça Federal, em primeira instância, impedindo o plantio de transgênicos no Brasil não torna inviável sua proposta. "Uma sentença pode cair", argumentou. E quando isto ocorresse, o Estado estaria preparado para semear plantas geneticamente modificadas.
A ação que pediu e obteve da Justiça Federal a proibição da semeadura de transgênicos no País foi apresentada pelo Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Marijane informou que, em caso de aprovação do substitutivo, o Greenpeace fará uma campanha para denunciar à população quais os deputados que votaram a favor da proposta. "Mas não vamos nos preocupar demais, já que a lei não terá efeito", avaliou. "O problema é que o Rio Grande do Sul estará mandando um sinal confuso para quem quer comprar alimentos não alterados geneticamente. Os compradores irão preferir outros fornecedores."

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